Prezado Leitor, Prezada Leitora,
Algumas coisas aconteceram na minha vida que impossibilitam continuar escrevendo este relato, mas tenho um amigo que também conviveu com Paulinha e, depois de muito insistir, ele seguirá escrevendo as memórias que temos dessa doce menina.
http://memoriasdepaulinha.blogspot.com
Lá você e eu seguiremos acompanhando as significativas experiências que proporcionaram o passo de Paulinha para o momento seguinte.
Luis Alves também estudou com Paulinha naquela famosa Faculdade do Planalto. Também ele partilhou incríveis experiências com essa doce menina.
Renato Tavares
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sábado, 15 de janeiro de 2011
sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
Paulinha Passos - 20
A sensação de voar é uma das mais fascinantes experiências da infância humana. Talvez seja por isso, a atração experimentada por Paulinha no mirante de Petrópolis, ou no mirante em Juiz de Fora, ou inclusive no mirante das Mangabeiras, em Belo Horizonte, onde costumava passear.
A sensação de observar do alto encanta o ser humano em seu desejo de voar.
À medida que vamos passando da idade infantil para uma idade adulta, os sonhos nos quais voamos, desaparecem paulatinamente, até o dia em que nós, sem percebermos, deixamos de sonhar, pois o despertador avisa que é hora de levantarmos para seguirmos cá embaixo.
Será que o fato de deixar de sonhar voando é a causa de nosso amadurecimento? Será que quando fazemos a experiência da consciência, com a qual nos tornamos humanos, caímos em si e deixamos de querer ser pássaro?
Naquela primeira noite de Natal, desde o alto do mirante, Paulinha sentiu o mesmo fascínio, que outrora sentira seu pai. Por isso, o tempo passou e ela não percebeu como também seu pai não percebera o passar do tempo, quando desobedecera.
Porém, esta história não é um tratado metafísico sobre a experiência do tempo, muito menos uma descrição kantiana das formas da sensibilidade. Esta história pretende apenas descrever a passagem de Paulinha por algumas experiências que a tornaram outra pessoa, sem deixar de ser a mesma pessoa.
Livra-me Deus desta filosofação!
Apesar de gostar de ser águia, Paulinha percebeu que na vida, também há momentos em que é preciso ficar cá embaixo, proteger, cuidar, amar, o que é seu, ainda que muitas vezes seja preciso suar, dar o sangue, estar disponível a qualquer sacrifício. As galinhas também têm seu valor.
Quando voltaram para casa, Paulinha e Raquel foram logo dormir, cansadas estavam da viagem. É claro que ainda tiveram tempo de conversar um pouco sobre o que aconteceu no mirante. Seu Ademar e Seu Lourival aproveitaram da ocasião, abriram uma deliciosa garrafa de vinho e degustaram da conversa e companhia um do outro.
A sensação de observar do alto encanta o ser humano em seu desejo de voar.
À medida que vamos passando da idade infantil para uma idade adulta, os sonhos nos quais voamos, desaparecem paulatinamente, até o dia em que nós, sem percebermos, deixamos de sonhar, pois o despertador avisa que é hora de levantarmos para seguirmos cá embaixo.
Será que o fato de deixar de sonhar voando é a causa de nosso amadurecimento? Será que quando fazemos a experiência da consciência, com a qual nos tornamos humanos, caímos em si e deixamos de querer ser pássaro?
Naquela primeira noite de Natal, desde o alto do mirante, Paulinha sentiu o mesmo fascínio, que outrora sentira seu pai. Por isso, o tempo passou e ela não percebeu como também seu pai não percebera o passar do tempo, quando desobedecera.
Porém, esta história não é um tratado metafísico sobre a experiência do tempo, muito menos uma descrição kantiana das formas da sensibilidade. Esta história pretende apenas descrever a passagem de Paulinha por algumas experiências que a tornaram outra pessoa, sem deixar de ser a mesma pessoa.
Livra-me Deus desta filosofação!
Apesar de gostar de ser águia, Paulinha percebeu que na vida, também há momentos em que é preciso ficar cá embaixo, proteger, cuidar, amar, o que é seu, ainda que muitas vezes seja preciso suar, dar o sangue, estar disponível a qualquer sacrifício. As galinhas também têm seu valor.
Quando voltaram para casa, Paulinha e Raquel foram logo dormir, cansadas estavam da viagem. É claro que ainda tiveram tempo de conversar um pouco sobre o que aconteceu no mirante. Seu Ademar e Seu Lourival aproveitaram da ocasião, abriram uma deliciosa garrafa de vinho e degustaram da conversa e companhia um do outro.
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
Paulinha Passos - 19
- Já estava preocupada pensando no que poderia ter acontecido, pois faz mais de duas horas que vocês deixaram a gente aqui nesta adega e, desceram um pouco a serra para olhar a paisagem.
- Mãe, como é bom estar aqui! como é boa a nossa vida! como é legal fazer parte desta família!
- O que aconteceu?
- Nada mãe! Precisa acontecer algo de extraordinário para podermos expressar aquilo que sentimos, aquilo que desejamos?! Se for preciso, então, aconteceu algo extraordinário. Por duas vezes, hoje, pude ver como tem coisa bonita no mundo!!!
- O que papai te deu?
- Dei a melhor experiência que alguém que mora em Petrópolis pode dar: mostrei o horizonte fluminense, desde aquele irresistível mirante!
- Ah, então foi isso! Agora entendo por que esta expressão no rosto de Paulinha.
Seu Ademar falou isso, porque ele também, quando adolescente, gostava de fugir dos pais, para poder ir a aquele mirante, olhar o horizonte. Lembrou-se da sensação de desejar voar. Não era adepto de esportes radicais, mas desde aquele mirante, qualquer um tinha vontade de voar. Todas às vezes que sentia desejo de tomar uma decisão na vida, como quando estava decidindo ir ao Rio ou a Belo Horizonte estudar História, seu Ademar corria ao mirante amigo e, assim, decidia que voo tomar.
Certa vez, aconteceu um fato que confirma a paixão de seu Ademar por aquele mirante.
Dona Doralice tinha chamado a atenção do filho por este desorganizar a casa que tinha sido arrumada por Aline, secretária do lar. O fato foi que, diante da bronca que levou da mãe, o pequeno Ademar, então com 12 anos, ficou muito furioso e ameaçou sair de casa para ter seu espaço, onde pudesse viver tranquilamente.
Ainda cedo, no outro dia, quando Doralice foi chamar o menino para ir à Escola, deparou-se com o quarto e algumas gavetas do armário vazios. Ficou desesperada e chamou o marido, este, alguns vizinhos, depois a polícia e, iniciaram a busca pelo menino.
No final daquele dia, por volta das 17h, seu Lourival desesperado, resolveu ir ao mirante, para ajoelhado, pedir a Deus que o ajudasse a encontrar o menino. Foi quando em meio à oração, que dizia mais ou menos, "Senhor, ajuda-me a encontrar meu filho", percebeu que haviam alguns rastros no mato, ao redor daquele lugar.
Movido pelo cheiro do menino que ainda estava no ar, seu Lourival desceu e encontrou o pequeno Ademar dormindo na parte de baixo do mirante, que desde então, tornou-se o Tabor de seu Lourival.
- Foi isso mesmo! A gente estava olhando o horizonte fluminense, desde aquele lugar!!!
- Mãe, como é bom estar aqui! como é boa a nossa vida! como é legal fazer parte desta família!
- O que aconteceu?
- Nada mãe! Precisa acontecer algo de extraordinário para podermos expressar aquilo que sentimos, aquilo que desejamos?! Se for preciso, então, aconteceu algo extraordinário. Por duas vezes, hoje, pude ver como tem coisa bonita no mundo!!!
- O que papai te deu?
- Dei a melhor experiência que alguém que mora em Petrópolis pode dar: mostrei o horizonte fluminense, desde aquele irresistível mirante!
- Ah, então foi isso! Agora entendo por que esta expressão no rosto de Paulinha.
Seu Ademar falou isso, porque ele também, quando adolescente, gostava de fugir dos pais, para poder ir a aquele mirante, olhar o horizonte. Lembrou-se da sensação de desejar voar. Não era adepto de esportes radicais, mas desde aquele mirante, qualquer um tinha vontade de voar. Todas às vezes que sentia desejo de tomar uma decisão na vida, como quando estava decidindo ir ao Rio ou a Belo Horizonte estudar História, seu Ademar corria ao mirante amigo e, assim, decidia que voo tomar.
Certa vez, aconteceu um fato que confirma a paixão de seu Ademar por aquele mirante.
Dona Doralice tinha chamado a atenção do filho por este desorganizar a casa que tinha sido arrumada por Aline, secretária do lar. O fato foi que, diante da bronca que levou da mãe, o pequeno Ademar, então com 12 anos, ficou muito furioso e ameaçou sair de casa para ter seu espaço, onde pudesse viver tranquilamente.
Ainda cedo, no outro dia, quando Doralice foi chamar o menino para ir à Escola, deparou-se com o quarto e algumas gavetas do armário vazios. Ficou desesperada e chamou o marido, este, alguns vizinhos, depois a polícia e, iniciaram a busca pelo menino.
No final daquele dia, por volta das 17h, seu Lourival desesperado, resolveu ir ao mirante, para ajoelhado, pedir a Deus que o ajudasse a encontrar o menino. Foi quando em meio à oração, que dizia mais ou menos, "Senhor, ajuda-me a encontrar meu filho", percebeu que haviam alguns rastros no mato, ao redor daquele lugar.
Movido pelo cheiro do menino que ainda estava no ar, seu Lourival desceu e encontrou o pequeno Ademar dormindo na parte de baixo do mirante, que desde então, tornou-se o Tabor de seu Lourival.
- Foi isso mesmo! A gente estava olhando o horizonte fluminense, desde aquele lugar!!!
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
Paulinha Passos - 18
Paulinha estava maravilhada com aquela experiência que estava vivenciando. Estar no mirante, que desde Petrópolis mostra a extensão de luzes do Rio de Janeiro, é um inesquecível momento de contemplação, agraciado pelo frescor da brisa que rocia a face de quem se permite estar ali. Um momento ímpar, na sucessão de momentos.
Aliás, Paulinha já tinha passado por semelhante experiência hoje, quando depois do almoço, próximo a Juiz de Fora, observava sonolenta a paisagem, desde o sedan novo que ia a 100 km/h. Seu pai estava concentrado na direção, enquanto sua mãe degustava a sesta que chega depois do almoço.
Ia Paulinha tranquila, observando pela janela, do lado direito de quem vai de BH ao Rio, quando percebeu maravilhada a extensão verde de montanhas. Pediu a seu pai que parasse e, desde o mirante construido ali, diríamos que para ela ter esta experiência, contemplou maravilhada a extensão finita de montanhas verdes.
Agora, Paulinha estava tendo sensação semelhante, porém intensificada pelo mistério que a escuridão noturna traz consigo.
- Daqui de cima, olhando este horizonte infinito de luzes pontilhadas, refrescada pela brisa que sopra, a gente conhece verdadeiramente como a natureza é bela.
- Minha filha, há cinquenta anos, quando cheguei a estas paragens, a gente sentia medo da solidão, hoje, a gente percebe como está cheio de gente lá embaixo. A luz mostra que a gente tem companhia neste mundo!
Paulinha saiu dali pensando na última frase de seu avô. Sabia que era verdade que a luz mostra a companhia de outras luzes no mundo. Porém, também era verdade que cada luz isolada era solitária. Seu avô sempre se queixava de estar sozinho no mundo, apesar da certeza de que seu filho estava de longe. Talvez fosse por gostar de tê-lo bem próximo de si. Verdade é que cada luz faz parte da bela paisagem.
Aliás, Paulinha já tinha passado por semelhante experiência hoje, quando depois do almoço, próximo a Juiz de Fora, observava sonolenta a paisagem, desde o sedan novo que ia a 100 km/h. Seu pai estava concentrado na direção, enquanto sua mãe degustava a sesta que chega depois do almoço.
Ia Paulinha tranquila, observando pela janela, do lado direito de quem vai de BH ao Rio, quando percebeu maravilhada a extensão verde de montanhas. Pediu a seu pai que parasse e, desde o mirante construido ali, diríamos que para ela ter esta experiência, contemplou maravilhada a extensão finita de montanhas verdes.
Agora, Paulinha estava tendo sensação semelhante, porém intensificada pelo mistério que a escuridão noturna traz consigo.
- Daqui de cima, olhando este horizonte infinito de luzes pontilhadas, refrescada pela brisa que sopra, a gente conhece verdadeiramente como a natureza é bela.
- Minha filha, há cinquenta anos, quando cheguei a estas paragens, a gente sentia medo da solidão, hoje, a gente percebe como está cheio de gente lá embaixo. A luz mostra que a gente tem companhia neste mundo!
Paulinha saiu dali pensando na última frase de seu avô. Sabia que era verdade que a luz mostra a companhia de outras luzes no mundo. Porém, também era verdade que cada luz isolada era solitária. Seu avô sempre se queixava de estar sozinho no mundo, apesar da certeza de que seu filho estava de longe. Talvez fosse por gostar de tê-lo bem próximo de si. Verdade é que cada luz faz parte da bela paisagem.
sábado, 8 de janeiro de 2011
Paulinha Passos - 17
- Como é bom jantar com a família! Se pudesse voltar no tempo, aproveitaria cada jantar, cada conversa, cada novela, com minha família! Perdi muito tempo trabalhando! Também, nessa profissão de comerciante, ou a gente trabalha, ou então morre de fome, no final, a gente termina sozinho!
Eram essas as palavras de seu Lourival, no primeiro jantar com seus únicos familiares, apesar de viver em sua casa, um sobrinho capixaba, filho de sua irmã caçula.
Seu Lourival era um comerciante de tecido, na cidade de Petrópolis. Tinha chegado ainda jovem, na cidade Imperial, na época em que os filhos, por volta dos 15 anos, deixavam a casa dos pais, para tentar sorte em outro lugar, pois na pequena Pedra Menina, terra natal de seu Lourival, havia dois destinos aos filhos daquele lugar, ou o lar, ou a agricultura, os que quisessem futuro diferente, deveriam buscá-lo em outro lugar.
Ainda jovem, diríamos que adolescente, seu Lourival deixou Pedra Menina em direção ao Rio de Janeiro. Falava-se muito nas oportunidades na então capital nacional. Porém, no meio do caminho, ele se encantou com Petrópolis e decidiu não descer a serra, mas desfrutar de um dos melhores climas do mundo.
Em Petrópolis, aquele capixaba começou trabalhando num pequeno armazém, para o senhor Juliano. Aprendeu naquele serviço toda a ciência comercial: investimento, cálculo de risco, arte da negociação, administração financeira. A única dificuldade que seu Lourival tinha, foi a de aprender a lidar com o ócio.
Após cinco anos de aprendizagem, de economia, de análise, seu Lourival decidiu iniciar seu próprio negócio, no ramo de tecidos. Com as economias de 5 anos de serviço, foi ao Rio e fez seu primeiro investimento: comprou uma camionete para transportá-lo, mais as mercadorias, principalmente tecidos, pelas cidades do interior de Minas, Espírito Santo e Rio. Assim, começou seu próspero negócio de vendas de tecidos.
A cidade sede da Tecido Lopes foi a cidade de Petrópolis. Depois de cinco anos, viajando pelas ditas cidades, decidiu comprar um terreno, onde construiu um depósito para as mercadorias. Contratou Doralice para ser secretária, depois promovida a administradora do Depósito.
No final dos anos 60, casou-se com Doralice e, exatamente em 15 de Dezembro de 1970, nasceu seu único filho Ademar, que 40 anos depois, com sua mulher e sua única filha, visitava seu viúvo pai.
- Sozinho por opção! Já perdi a conta de quantas vezes lhe chamei para morar em BH, com sua família, mas você sempre tem a desculpa de que não quer incomodar, tem muito negócio em Petrópolis, tem que cuidar da casa. A solidão é sua companhia predileta!
Eram essas as palavras de seu Lourival, no primeiro jantar com seus únicos familiares, apesar de viver em sua casa, um sobrinho capixaba, filho de sua irmã caçula.
Seu Lourival era um comerciante de tecido, na cidade de Petrópolis. Tinha chegado ainda jovem, na cidade Imperial, na época em que os filhos, por volta dos 15 anos, deixavam a casa dos pais, para tentar sorte em outro lugar, pois na pequena Pedra Menina, terra natal de seu Lourival, havia dois destinos aos filhos daquele lugar, ou o lar, ou a agricultura, os que quisessem futuro diferente, deveriam buscá-lo em outro lugar.
Ainda jovem, diríamos que adolescente, seu Lourival deixou Pedra Menina em direção ao Rio de Janeiro. Falava-se muito nas oportunidades na então capital nacional. Porém, no meio do caminho, ele se encantou com Petrópolis e decidiu não descer a serra, mas desfrutar de um dos melhores climas do mundo.
Em Petrópolis, aquele capixaba começou trabalhando num pequeno armazém, para o senhor Juliano. Aprendeu naquele serviço toda a ciência comercial: investimento, cálculo de risco, arte da negociação, administração financeira. A única dificuldade que seu Lourival tinha, foi a de aprender a lidar com o ócio.
Após cinco anos de aprendizagem, de economia, de análise, seu Lourival decidiu iniciar seu próprio negócio, no ramo de tecidos. Com as economias de 5 anos de serviço, foi ao Rio e fez seu primeiro investimento: comprou uma camionete para transportá-lo, mais as mercadorias, principalmente tecidos, pelas cidades do interior de Minas, Espírito Santo e Rio. Assim, começou seu próspero negócio de vendas de tecidos.
A cidade sede da Tecido Lopes foi a cidade de Petrópolis. Depois de cinco anos, viajando pelas ditas cidades, decidiu comprar um terreno, onde construiu um depósito para as mercadorias. Contratou Doralice para ser secretária, depois promovida a administradora do Depósito.
No final dos anos 60, casou-se com Doralice e, exatamente em 15 de Dezembro de 1970, nasceu seu único filho Ademar, que 40 anos depois, com sua mulher e sua única filha, visitava seu viúvo pai.
- Sozinho por opção! Já perdi a conta de quantas vezes lhe chamei para morar em BH, com sua família, mas você sempre tem a desculpa de que não quer incomodar, tem muito negócio em Petrópolis, tem que cuidar da casa. A solidão é sua companhia predileta!
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
Paulinha Passos - 16
Na terça, ainda cedo, a família Lopes, é preciso aqui dizer que este era o sobrenome de Paulinha, Ademar e Raquel, tomou a estrada rumo a Petrópolis, no carro preto, tipo sedan, presente de aniversário e natal de seu Ademar, para passar o natal na casa da família paterna.
É preciso dizer que na segunda, seu Ademar saiu cedo para a livraria e comprou um exemplar de o Alienista. Também comprou duas obras de análise crítica da mesma. Estava emocionado com a missão, assim encarava, de ajudar Paulinha na recuperação em Português. Tão emocionado estava que decidiu adiantar a viagem para o natal, em cinco dias, para melhor adaptação na cidade, na casa de seus pais, pois sabia que para estudar, além da mente descansada, era necessário o ambiente ideal. Claro está que naquela paisagem, naquele jardim, com aquelas vistas, não haveria melhor ambiente. O problema era que tinha que adaptar-se aos costumes de seu viúvo pai, que quando recebia visitas, fazia de tudo para agradá-las, mas não conseguida deixá-las quietas, um só momento, pois sempre tinha algo de suas memórias, para contar, ainda mais se fosse sua única neta, a visita.
Quando chegou a casa, por volta do meio do dia, seu Ademar comunicou a suas duas mulheres, que iriam adiantar em cinco dias, a viagem para o natal, por isso, sairiam na próxima manhã, quando acordassem, quer dizer, por volta das 10.
Enquanto Paulinha e Raquel preparavam as bagagens para a viagem, seu Ademar ainda pesquisava na internet alguns detalhes sobre a obra, mas estava seguro de que tinha material suficiente para compreender a narrativa machadiana. O detalhe que passava despercebido por ele era que Paulinha iria fazer uma prova de recuperação em Português, com umas 10 questões de gramática, composição textual e, apenas umas duas perguntas sobre o livro. Porém, como tudo o que fazia na vida era profundamente realizado, resolveu ainda levar uns textos de Teoria do Conhecimento e de Lógica, caso fosse necessário, aprofundar-se ainda mais na leitura de O Alienista.
Na Terça, seguia pela 040, em direção à Cidade Imperial, a família Lopes, mais cinco malas com roupas, maquiagem, livros, presentes para o avô, queijo e goiabada.
As festas de fim de ano proporcionam este encontro da família.
É preciso dizer que na segunda, seu Ademar saiu cedo para a livraria e comprou um exemplar de o Alienista. Também comprou duas obras de análise crítica da mesma. Estava emocionado com a missão, assim encarava, de ajudar Paulinha na recuperação em Português. Tão emocionado estava que decidiu adiantar a viagem para o natal, em cinco dias, para melhor adaptação na cidade, na casa de seus pais, pois sabia que para estudar, além da mente descansada, era necessário o ambiente ideal. Claro está que naquela paisagem, naquele jardim, com aquelas vistas, não haveria melhor ambiente. O problema era que tinha que adaptar-se aos costumes de seu viúvo pai, que quando recebia visitas, fazia de tudo para agradá-las, mas não conseguida deixá-las quietas, um só momento, pois sempre tinha algo de suas memórias, para contar, ainda mais se fosse sua única neta, a visita.
Quando chegou a casa, por volta do meio do dia, seu Ademar comunicou a suas duas mulheres, que iriam adiantar em cinco dias, a viagem para o natal, por isso, sairiam na próxima manhã, quando acordassem, quer dizer, por volta das 10.
Enquanto Paulinha e Raquel preparavam as bagagens para a viagem, seu Ademar ainda pesquisava na internet alguns detalhes sobre a obra, mas estava seguro de que tinha material suficiente para compreender a narrativa machadiana. O detalhe que passava despercebido por ele era que Paulinha iria fazer uma prova de recuperação em Português, com umas 10 questões de gramática, composição textual e, apenas umas duas perguntas sobre o livro. Porém, como tudo o que fazia na vida era profundamente realizado, resolveu ainda levar uns textos de Teoria do Conhecimento e de Lógica, caso fosse necessário, aprofundar-se ainda mais na leitura de O Alienista.
Na Terça, seguia pela 040, em direção à Cidade Imperial, a família Lopes, mais cinco malas com roupas, maquiagem, livros, presentes para o avô, queijo e goiabada.
As festas de fim de ano proporcionam este encontro da família.
quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
Paulinha Passos - 15
Antes de dormir, seu Ademar ainda estava pensando na solução para o problema de Paulinha: tinha de ajudar a filha, na recuperação em Português. Como? Quem sabe um professor particular! Onde encontrar um, em véspera de Natal e Ano Novo? Além disso, na quarta viajariam para Petrópolis, pois iriam passar o Natal, na casa do avô paterno, antes de seguirem ao Rio, para a Festa da Virada.
O certo era que se não encontrasse solução para este problema, na primeira semana, após as Festas, Paulinha teria de fazer o exame de recuperação, sem ter sido preparada para isso.
- Amor, ainda acordado?! Perdeu o sono? Algum problema com o trabalho?
- Nada de trabalho, a coluna para o Jornal só retornará na segunda quinzena de Janeiro, o problema é outro: o que vamos fazer com a Paulinha? Depois de amanhã viajaremos e, só regressaremos na véspera da prova!
- Uai, você não fala com toda autoridade que Machado de Assis é o melhor escritor da Língua Portuguesa?! Por que você não dá aula para Paulinha?! Além do mais, não conheço melhor professor de Português!!!
- Já pensei nisso, faz mais de 20 anos que li O Alienista, lembro muito pouco da história.
- Nooossaaa!!! Mas você vive falando que este é o melhor livro de Machado!!!
- Nada disso, o melhor é Quincas Borba! E também gosto de O Alienista!
- Então?
- Será?
- Não conheço melhor professor. E tem mais: onde a gente vai encontrar alguém para dar essas aulas em Petrópolis e no Rio de Janeiro?!
Seu Ademar foi para o computador, apesar da insistência de Raquel para que ele fosse dormir. Entro naquele famoso sitio de busca e começou por se interar, brevemente, da história. Depois, no portal dominiopublico.gov.br , baixou as trintas páginas da história e as imprimiu. Passou todo o restante da noite e início da madrugada lendo O Alienista. Divertiu-se muito com as peripécias do médico Bacamarte ao tentar encontrar o limite entre o racional e o irracional, a fronteira da loucura, aquela que supostamente seria a fronteira entre o humano e o não-humano.
O certo era que se não encontrasse solução para este problema, na primeira semana, após as Festas, Paulinha teria de fazer o exame de recuperação, sem ter sido preparada para isso.
- Amor, ainda acordado?! Perdeu o sono? Algum problema com o trabalho?
- Nada de trabalho, a coluna para o Jornal só retornará na segunda quinzena de Janeiro, o problema é outro: o que vamos fazer com a Paulinha? Depois de amanhã viajaremos e, só regressaremos na véspera da prova!
- Uai, você não fala com toda autoridade que Machado de Assis é o melhor escritor da Língua Portuguesa?! Por que você não dá aula para Paulinha?! Além do mais, não conheço melhor professor de Português!!!
- Já pensei nisso, faz mais de 20 anos que li O Alienista, lembro muito pouco da história.
- Nooossaaa!!! Mas você vive falando que este é o melhor livro de Machado!!!
- Nada disso, o melhor é Quincas Borba! E também gosto de O Alienista!
- Então?
- Será?
- Não conheço melhor professor. E tem mais: onde a gente vai encontrar alguém para dar essas aulas em Petrópolis e no Rio de Janeiro?!
Seu Ademar foi para o computador, apesar da insistência de Raquel para que ele fosse dormir. Entro naquele famoso sitio de busca e começou por se interar, brevemente, da história. Depois, no portal dominiopublico.gov.br , baixou as trintas páginas da história e as imprimiu. Passou todo o restante da noite e início da madrugada lendo O Alienista. Divertiu-se muito com as peripécias do médico Bacamarte ao tentar encontrar o limite entre o racional e o irracional, a fronteira da loucura, aquela que supostamente seria a fronteira entre o humano e o não-humano.
terça-feira, 28 de dezembro de 2010
Paulinha Passos - 14
Seu Ademar não esperou a filha entrar em seu apartamento do Pe. Eustáquio, mas saiu correndo ao encontro da menina, com um afetuoso abraço de pai, que estava morrendo de saudades. Desde sexta à noite, não via a segunda pessoa mais linda de sua vida.
- Quase morri!
- De quê? Como assim? Mamãe não falou nada!
- Quase morri de saudades, mas alguns minutos e vocês, que já deveriam ter chegado há seis horas, encontrariam apenas um corpo estendido no chão da sala!
- Nooossaaaaa! Que exagerado!
- Exagero?! Sua ingrata, ou melhor, "suas ingratas"! Preparei um almoço daqueles! Passei horas pesquisando a melhor receita para celebrar o reencontro e, ninguém apareceu para saboreá-lo! Se soubesse, teria ido para a casa de mamãe, pelo menos por lá, não sofreria de saudades!!!
- Então vamos subir, né! Como ainda não almoçamos, poderemos saborear da refeição do reencontro!
- Então vamos! O que posso fazer se amo demais vocês! Quando olhei para o relógio e vi que era uma hora e vocês não chegavam, liguei para o celular da senhora, ninguém atendeu, depois para o da senhorita, também aconteceu o mesmo. Comecei a imaginar tantas coisas! Um pai, um marido aflito imagina tudo, ainda mais quando busca um final feliz para sua imaginação, mas não encontra a solução esperada, pois as causadoras de sua aflição, não contestam sua ligação!
- Nós estávamos na Praça da Liberdade contemplando as belezas que essa capital mineira oferece!
- Uai, não sabia que tinha concurso de misses! Em época de natal não é costume apresentações de corais na Praça da Liberdade?
- Ih mãe, pode bater à vontade! Eu ajudo!!!!
Após essa cena, exemplo de hipérbole paterna ou conjugal, os três subiram abraçados para seu apartamento no quinto andar daquele edifício verde, decorado por luzes vermelhas e mensagens natalinas, que podem ser lidas ou contempladas por todos aqueles que passam pela Tereza Cristina. Almoçaram, ou melhor, jantaram o almoço do reencontro, pois já passavam das 19h, quando aquela bela família, celebrava o amor.
- Quase morri!
- De quê? Como assim? Mamãe não falou nada!
- Quase morri de saudades, mas alguns minutos e vocês, que já deveriam ter chegado há seis horas, encontrariam apenas um corpo estendido no chão da sala!
- Nooossaaaaa! Que exagerado!
- Exagero?! Sua ingrata, ou melhor, "suas ingratas"! Preparei um almoço daqueles! Passei horas pesquisando a melhor receita para celebrar o reencontro e, ninguém apareceu para saboreá-lo! Se soubesse, teria ido para a casa de mamãe, pelo menos por lá, não sofreria de saudades!!!
- Então vamos subir, né! Como ainda não almoçamos, poderemos saborear da refeição do reencontro!
- Então vamos! O que posso fazer se amo demais vocês! Quando olhei para o relógio e vi que era uma hora e vocês não chegavam, liguei para o celular da senhora, ninguém atendeu, depois para o da senhorita, também aconteceu o mesmo. Comecei a imaginar tantas coisas! Um pai, um marido aflito imagina tudo, ainda mais quando busca um final feliz para sua imaginação, mas não encontra a solução esperada, pois as causadoras de sua aflição, não contestam sua ligação!
- Nós estávamos na Praça da Liberdade contemplando as belezas que essa capital mineira oferece!
- Uai, não sabia que tinha concurso de misses! Em época de natal não é costume apresentações de corais na Praça da Liberdade?
- Ih mãe, pode bater à vontade! Eu ajudo!!!!
Após essa cena, exemplo de hipérbole paterna ou conjugal, os três subiram abraçados para seu apartamento no quinto andar daquele edifício verde, decorado por luzes vermelhas e mensagens natalinas, que podem ser lidas ou contempladas por todos aqueles que passam pela Tereza Cristina. Almoçaram, ou melhor, jantaram o almoço do reencontro, pois já passavam das 19h, quando aquela bela família, celebrava o amor.
sábado, 18 de dezembro de 2010
Paulinha Passos - 13
Ao entrarem no taxi que as conduziria para sua casa no Pe. Eustáquio, depois de despedir-se de Rute e Sofia, Paulinha pediu a sua mãe que fossem passear na Praça da Liberdade. Quando chegaram neste atrativo da capital mineira, Raquel pediu ao taxista para parar, pagou mais do que registrava o taxímetro e desceu com a filha.
Caminharam ao redor da praça, observando cada detalhe dos jardins, do passeio, das árvores. De longe, apreciaram a arquitetura do Palácio da Liberdade, antiga sede do Governo Estadual. Raquel, não conseguiu deixar de contar para a filha, os momentos históricos que vivenciara naquele local: um misto de arte e história. Paulinha ouvia atentamente cada fato relembrado pela mãe.
Aproveitaram para registrar aquele momento e tiraram uma foto que ficou guardada no celular que tinham.
- Antigamente, minha filha, tinham os fotógrafos profissionais que tiravam as fotos das pessoas que por aqui passavam, imprimiam e colocavam as lembranças em uma moldura para ser colocada em um lugar de destaque ou na sala de estar, ou no escritório, ou mesmo no quarto da pessoa.
- Ah mãe, não ficam bem encher as paredes das casas com quadros.
- Antes, a gente tirava poucas fotos quando saía para passear ou visitar algum ponto turístico de uma cidade. Normalmente, as máquinas que carregávamos possuíam filmes com 12 ou 24 poses. Por isso, a gente tirava as fotos especiais com um fotógrafo profissional, para que as mesmas saíssem muito bonitas.
- Bom mãe, hoje parece ser melhor, então. Hoje, as fotos podem ser tiradas em várias posições no mesmo local, em casa a gente pode melhorá-las com algum programa de computador. Fica até melhor.
- São fotos artificiais! Se o original não sair melhor na cópia, a gente melhora o original da cópia. Pode isso?! Tem fotografias que nem parecem com os modelos originais!!!
- Ih, mãe, antigamente, antigamente!!!
Raquel seguiu caminhando com a filha, pensando no que queria dizer antigamente, dito com um tom nada agradável pela filha. Paulinha seguiu caminhando com a mãe, pensado no que queria dizer a relação entre original e cópia, que a mãe acabara de dizer. Ambas observavam os detalhes da Praça da Liberdade, principalmente o rosto das pessoas, todos diferentes, na proporção exata entre cabelo, olhos, nariz..., dando um aspecto agradável à aparência das pessoas. É claro que alguns dos rostos não eram tão agradáveis como aqui escrito. Porém, os rostos belos traziam a justa medida entre área, distribuição das partes e, sobretudo, agradabilidade à vista.
Caminharam ao redor da praça, observando cada detalhe dos jardins, do passeio, das árvores. De longe, apreciaram a arquitetura do Palácio da Liberdade, antiga sede do Governo Estadual. Raquel, não conseguiu deixar de contar para a filha, os momentos históricos que vivenciara naquele local: um misto de arte e história. Paulinha ouvia atentamente cada fato relembrado pela mãe.
Aproveitaram para registrar aquele momento e tiraram uma foto que ficou guardada no celular que tinham.
- Antigamente, minha filha, tinham os fotógrafos profissionais que tiravam as fotos das pessoas que por aqui passavam, imprimiam e colocavam as lembranças em uma moldura para ser colocada em um lugar de destaque ou na sala de estar, ou no escritório, ou mesmo no quarto da pessoa.
- Ah mãe, não ficam bem encher as paredes das casas com quadros.
- Antes, a gente tirava poucas fotos quando saía para passear ou visitar algum ponto turístico de uma cidade. Normalmente, as máquinas que carregávamos possuíam filmes com 12 ou 24 poses. Por isso, a gente tirava as fotos especiais com um fotógrafo profissional, para que as mesmas saíssem muito bonitas.
- Bom mãe, hoje parece ser melhor, então. Hoje, as fotos podem ser tiradas em várias posições no mesmo local, em casa a gente pode melhorá-las com algum programa de computador. Fica até melhor.
- São fotos artificiais! Se o original não sair melhor na cópia, a gente melhora o original da cópia. Pode isso?! Tem fotografias que nem parecem com os modelos originais!!!
- Ih, mãe, antigamente, antigamente!!!
Raquel seguiu caminhando com a filha, pensando no que queria dizer antigamente, dito com um tom nada agradável pela filha. Paulinha seguiu caminhando com a mãe, pensado no que queria dizer a relação entre original e cópia, que a mãe acabara de dizer. Ambas observavam os detalhes da Praça da Liberdade, principalmente o rosto das pessoas, todos diferentes, na proporção exata entre cabelo, olhos, nariz..., dando um aspecto agradável à aparência das pessoas. É claro que alguns dos rostos não eram tão agradáveis como aqui escrito. Porém, os rostos belos traziam a justa medida entre área, distribuição das partes e, sobretudo, agradabilidade à vista.
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
Paulinha Passos - 12
Já era tarde, por volta das 11h, quando Paulinha escutou a voz de Raquel que a chamava.
Rapidamente, levantou-se da cama, enrolou-se no lençol que estava no sofá ao lado da cama, abriu a porta e deparou-se com sua mãe, que havia antecipado em algumas horas o reencontro. Paulinha abraçou sua mãe e disse que a amava muito, mais que tudo. Estava muito agradecida por ser filha dela e de seu Ademar.
Aquela cena deixou Raquel um pouco preocupada. É claro que Paulinha sempre declarar seu amor ao pai e à mãe. Porém, daquele modo, nunca o fizera. Além disso, Paulinha estava mais radiante que de costume.
Quando Rute entrou no quarto, deparou-se com aquela comovedora cena de abraço entre mãe e filha. Então, afastou-se bem devagar para não interromper aquele momento de comunhão entre as duas. Retirou-se.
- Mãe, conte para mim qual foi a coisa mais bela que você já viu.
- Deixa eu pensar... Uma coisa muito bonita que vi, certa vez, foi o rosto de uma menina linda que nunca canso de ver.
- Mãe, estou falando sério! Não quero a opinião da mãe, mas da observadora de detalhes.
- É que você me pegou desprevenida. Já vi muitos bebês lindos, muitos céus azulados, muitas paisagens, muitas pessoas lindas. Gosto muito de ver pessoas belas. A combinação de cabelo, com rosto, expressão e, sobretudo, olhos, sem dúvida é uma das coisas mais belas de se ver. Porém, o local, o momento, influenciam a percepação da beleza, a percepção dos detalhes que diferenciam o comum, o cotidiano do singular, do individual. Por que você está perguntando isso?
- Ontem, vi a coisa mais linda do mundo!
- É mesmo! Então conta tudo em detalhes!
Paulinha seguiu relatando cada passo de seu dia, desde o olhar pesado com que amanhecera até o olhar relaxado com que adormecera. Contou todos os detalhes do local e do momento em que experimentara a visão da sublime beleza.
Raquel compreendeu o que passara e tranquilizou-se, pois até aquele momento estava preocupada, visto que Rute a despertara cedo com um telefonema urgente informando que Paulinha não dormira com Sofia, como das outras vezes, nem tinha levantado até a hora em que ligara.
Raquel percebeu que Paulinha estava um pouco diferente porque tinha experimentado algo único, indescritível. Por mais que quisesse explicar, justificar, não poderia expressar o que experimentara.
Rapidamente, levantou-se da cama, enrolou-se no lençol que estava no sofá ao lado da cama, abriu a porta e deparou-se com sua mãe, que havia antecipado em algumas horas o reencontro. Paulinha abraçou sua mãe e disse que a amava muito, mais que tudo. Estava muito agradecida por ser filha dela e de seu Ademar.
Aquela cena deixou Raquel um pouco preocupada. É claro que Paulinha sempre declarar seu amor ao pai e à mãe. Porém, daquele modo, nunca o fizera. Além disso, Paulinha estava mais radiante que de costume.
Quando Rute entrou no quarto, deparou-se com aquela comovedora cena de abraço entre mãe e filha. Então, afastou-se bem devagar para não interromper aquele momento de comunhão entre as duas. Retirou-se.
- Mãe, conte para mim qual foi a coisa mais bela que você já viu.
- Deixa eu pensar... Uma coisa muito bonita que vi, certa vez, foi o rosto de uma menina linda que nunca canso de ver.
- Mãe, estou falando sério! Não quero a opinião da mãe, mas da observadora de detalhes.
- É que você me pegou desprevenida. Já vi muitos bebês lindos, muitos céus azulados, muitas paisagens, muitas pessoas lindas. Gosto muito de ver pessoas belas. A combinação de cabelo, com rosto, expressão e, sobretudo, olhos, sem dúvida é uma das coisas mais belas de se ver. Porém, o local, o momento, influenciam a percepação da beleza, a percepção dos detalhes que diferenciam o comum, o cotidiano do singular, do individual. Por que você está perguntando isso?
- Ontem, vi a coisa mais linda do mundo!
- É mesmo! Então conta tudo em detalhes!
Paulinha seguiu relatando cada passo de seu dia, desde o olhar pesado com que amanhecera até o olhar relaxado com que adormecera. Contou todos os detalhes do local e do momento em que experimentara a visão da sublime beleza.
Raquel compreendeu o que passara e tranquilizou-se, pois até aquele momento estava preocupada, visto que Rute a despertara cedo com um telefonema urgente informando que Paulinha não dormira com Sofia, como das outras vezes, nem tinha levantado até a hora em que ligara.
Raquel percebeu que Paulinha estava um pouco diferente porque tinha experimentado algo único, indescritível. Por mais que quisesse explicar, justificar, não poderia expressar o que experimentara.
sábado, 11 de dezembro de 2010
Paulinha Passos - 11
Quando Paulinha chegou a casa, despediu-se de Rute e de Sofia, sem muitos detalhes informou às duas que iria dormir no quarto dela, aquele mesmo em que nunca tivera dormido antes. Disse que não iria jantar porque não estava com fome e, que tinha muito sono.
Ao adentrar para o quarto, Paulinha trancou a porta com a chave, deixando a mesma na fechadura, acendeu a lâmpada fluorescente que, do meio do meio do teto iluminava toda aquela habitação, tirou toda a roupa e se posicionou diante do espelho.
Paulinha começou a se observar e sentia imenso prazer no fato de ser observada!
Olhou profundamente no brilho de seu olhar. Ficou fascinada com a luz que ardia em seus olhos!
Olhou profundamente cada detalhe de seu rosto. Ficou fascinada com a proporcionalidade de sua face!
Olhou profundamente para cada detalhe de seu corpo. Ficou fascinada com sua beleza!
Paulinha sentia imenso prazer no fato de se observar e de ser observada!
Três horas se passaram e Paulinha não o percebera, tão absorvida estava na contemplação de sua beleza. Estava encantada com o que experimentara, mas não saberia explicar para ninguém exatamente por que sentira tanto prazer no fato de se observar e de ser observada!
Agora, estava serena, tranquilla, em paz, após aquele intenso momento em que pode experimentar cada detalhe de sua beleza: do brilho de seu olhar, da proporcionalidade de sua face, de cada detalhe de seu corpo!
Paulinha tinha experimentado por primeira vez, o prazer estético!
Ao adentrar para o quarto, Paulinha trancou a porta com a chave, deixando a mesma na fechadura, acendeu a lâmpada fluorescente que, do meio do meio do teto iluminava toda aquela habitação, tirou toda a roupa e se posicionou diante do espelho.
Paulinha começou a se observar e sentia imenso prazer no fato de ser observada!
Olhou profundamente no brilho de seu olhar. Ficou fascinada com a luz que ardia em seus olhos!
Olhou profundamente cada detalhe de seu rosto. Ficou fascinada com a proporcionalidade de sua face!
Olhou profundamente para cada detalhe de seu corpo. Ficou fascinada com sua beleza!
Paulinha sentia imenso prazer no fato de se observar e de ser observada!
Três horas se passaram e Paulinha não o percebera, tão absorvida estava na contemplação de sua beleza. Estava encantada com o que experimentara, mas não saberia explicar para ninguém exatamente por que sentira tanto prazer no fato de se observar e de ser observada!
Agora, estava serena, tranquilla, em paz, após aquele intenso momento em que pode experimentar cada detalhe de sua beleza: do brilho de seu olhar, da proporcionalidade de sua face, de cada detalhe de seu corpo!
Paulinha tinha experimentado por primeira vez, o prazer estético!
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
Paulinha Passos - 10
Luisinho estava um pouco abatido por não ter conquistado o primeiro lugar no concurso de Literatura. Rute de todas as formas mostrava para ele como era importante a participação na competição, não apenas a medalha do primeiro lugar. Além do mais, ele conhecia bastante do Quincas Borba e de O Alienista, porém fora surpreendido com perguntas de Dom Casmurro, obra que Luisinho apenas tinha escutado algo dela, mas não a tinha lido.
Luisinho estava triste e Rute tentando animá-lo!
Paulinha aproximou-se deles e perguntou a Luisinho o que mais gostara em O Alienista, para ter um carinho especial, por este conto, não muito divulgado.
- A incerteza diante da inteligência humana. Sempre escutei as pessoas falarem que não sou inteligente, que não sou capaz, mas aqui na AMIZADE, principalmente com a Professora Rute, aprendi que esforçando um pouco, com a ajuda certa, posso também ser considerado um animal racional.
Paulinha contou para Luisinho que estava de recuperação em Interpretação de Texto, por causa deste livro tão querido a ele. Tinha que aprender a interpretá-lo, se quisesse terminar o Ensino Fundamental. Ficou muito impressionada com a capacidade dele, sobretudo sua memória, que lhe fazia lembrar-se de alguns detalhes despercebidos por ela, quando lera este livro.
- Inteligência, animal racional, isto é minha principal preocupação e, quando não conquistei o primeiro lugar no concurso, fiquei pensando se, em meus 18 anos, eu poderia ser considerado inteligente!
Aquelas indagações de Luisinho ficaram gravadas na memória de Paulinha, além do intenso brilho de seu olhar. Por isso, estava um pouco reflexiva, desde que saíra da Ong depois de despedir-se de Luisinho e da mãe dele. Depois de deixar aquele ambiente de sorriso e de muita acolhida. Depois de, silenciosamente, regressar para casa de Rute, com sua outra mãe e sua irmã que acompanhavam Paulinha no silêncio.
Luisinho estava triste e Rute tentando animá-lo!
Paulinha aproximou-se deles e perguntou a Luisinho o que mais gostara em O Alienista, para ter um carinho especial, por este conto, não muito divulgado.
- A incerteza diante da inteligência humana. Sempre escutei as pessoas falarem que não sou inteligente, que não sou capaz, mas aqui na AMIZADE, principalmente com a Professora Rute, aprendi que esforçando um pouco, com a ajuda certa, posso também ser considerado um animal racional.
Paulinha contou para Luisinho que estava de recuperação em Interpretação de Texto, por causa deste livro tão querido a ele. Tinha que aprender a interpretá-lo, se quisesse terminar o Ensino Fundamental. Ficou muito impressionada com a capacidade dele, sobretudo sua memória, que lhe fazia lembrar-se de alguns detalhes despercebidos por ela, quando lera este livro.
- Inteligência, animal racional, isto é minha principal preocupação e, quando não conquistei o primeiro lugar no concurso, fiquei pensando se, em meus 18 anos, eu poderia ser considerado inteligente!
Aquelas indagações de Luisinho ficaram gravadas na memória de Paulinha, além do intenso brilho de seu olhar. Por isso, estava um pouco reflexiva, desde que saíra da Ong depois de despedir-se de Luisinho e da mãe dele. Depois de deixar aquele ambiente de sorriso e de muita acolhida. Depois de, silenciosamente, regressar para casa de Rute, com sua outra mãe e sua irmã que acompanhavam Paulinha no silêncio.
sábado, 27 de novembro de 2010
Paulinha Passos - 9
Quando as meninas chegaram à bela casa na Av. do Contorno, perceberam, pela emoção, sorriso, abraço das pessoas com quem encontravam que aquele não seria um sábado como outro.
Logo na entrada, algumas mulheres acolhiam cheias de entusiasmo e abraço todas as pessoas que chegavam. Na recepção da AMIZADE, as várias fotos dos muitos momentos vividos naqueles 10 anos de existência da Casa mostravam a Paulinha e Sofia por que Rute falara, toda a semana, do quão esperado era aquele dia - dia de colher os frutos dos 5 anos de voluntariado como professora de Literatura.
Chegando ao grande pátio onde estava montado o palco e organizadas as cadeiras, bem como a arquibancada das torcidas dos "competidores", Paulinha observou nos detalhes da fisionomia das crianças e de seus pais: eram rostos que extravasavam orgulho e felicidade.
Rute aproximou-se de Paulinha, que se mostrava surpreendida com o que experimentava e apresentou-lhe Luisinho, seu protegido naquele dia de gincana (os dez meninos que participariam daquele concurso eram assessorados por uma instrutora da AMIZADE). Paulinha olhou atentamente o brilho no olhar de Luisinho!
- Paulinha, este é Luisinho. Ele está terminando o Ensino Fundamental. Um excelente estudante, sobretudo de Literatura. Nestes cinco anos em que sou voluntária aqui, acompanhei Luisinho, na leitura da Obra Completa de Machado de Assis. Ele quer estudar Letras e, se Deus quiser, ser um pesquisador da Obra de Machado.
- Olá Paulinha, muito prazer!
- Olá Luisinho, o prazer é meu. Qual seu livro preferido?
- Gosto demais de "O Alienista" de Machado de Assis.
Paulinha olhava atentamente o brilho no olhar de Luisinho, quando este detalhava o conto de Machado e explicava os motivos por que elegera aquele conto o seu preferido.
Rute aproveitou para pedir a Luisinho que este mostrasse às meninas as instalações da Ong. Ele, então, levou-as do Pátio Central aos corredores das 20 salas de aula, depois, mostrou-lhes o imenso refeitório e as instalações esportivas, onde praticavam as mais diversas modalidades esportivas. Paulinha, nesse itinerário, olhava atentamente o brilho no olhar de Luisinho.
A seguir, foram todos chamados ao Pátio Central, para a Solenidade de Abertura do Concurso de Literatura e Língua Portuguesa. Depois, acompanharam o disputado concurso em que eram respondidas perguntas de gramática, significado das palavras e passagens da obra de Machado de Assis, o autor homenageado naquele primeiro ano do concurso.
Paulinha ficou surpreendida com os detalhes nas respostas de Literatura, a justificativa nas de gramática, a precisão no significado das palavras. "Percebeu" como a metodologia correta poderia conduzir estudantes, tido como atrasados mentalmente, ao desfrute do conhecimento.
Paulinha não conseguia deixar de olhar atentamente o brilho no olhar de Luisinho.
Logo na entrada, algumas mulheres acolhiam cheias de entusiasmo e abraço todas as pessoas que chegavam. Na recepção da AMIZADE, as várias fotos dos muitos momentos vividos naqueles 10 anos de existência da Casa mostravam a Paulinha e Sofia por que Rute falara, toda a semana, do quão esperado era aquele dia - dia de colher os frutos dos 5 anos de voluntariado como professora de Literatura.
Chegando ao grande pátio onde estava montado o palco e organizadas as cadeiras, bem como a arquibancada das torcidas dos "competidores", Paulinha observou nos detalhes da fisionomia das crianças e de seus pais: eram rostos que extravasavam orgulho e felicidade.
Rute aproximou-se de Paulinha, que se mostrava surpreendida com o que experimentava e apresentou-lhe Luisinho, seu protegido naquele dia de gincana (os dez meninos que participariam daquele concurso eram assessorados por uma instrutora da AMIZADE). Paulinha olhou atentamente o brilho no olhar de Luisinho!
- Paulinha, este é Luisinho. Ele está terminando o Ensino Fundamental. Um excelente estudante, sobretudo de Literatura. Nestes cinco anos em que sou voluntária aqui, acompanhei Luisinho, na leitura da Obra Completa de Machado de Assis. Ele quer estudar Letras e, se Deus quiser, ser um pesquisador da Obra de Machado.
- Olá Paulinha, muito prazer!
- Olá Luisinho, o prazer é meu. Qual seu livro preferido?
- Gosto demais de "O Alienista" de Machado de Assis.
Paulinha olhava atentamente o brilho no olhar de Luisinho, quando este detalhava o conto de Machado e explicava os motivos por que elegera aquele conto o seu preferido.
Rute aproveitou para pedir a Luisinho que este mostrasse às meninas as instalações da Ong. Ele, então, levou-as do Pátio Central aos corredores das 20 salas de aula, depois, mostrou-lhes o imenso refeitório e as instalações esportivas, onde praticavam as mais diversas modalidades esportivas. Paulinha, nesse itinerário, olhava atentamente o brilho no olhar de Luisinho.
A seguir, foram todos chamados ao Pátio Central, para a Solenidade de Abertura do Concurso de Literatura e Língua Portuguesa. Depois, acompanharam o disputado concurso em que eram respondidas perguntas de gramática, significado das palavras e passagens da obra de Machado de Assis, o autor homenageado naquele primeiro ano do concurso.
Paulinha ficou surpreendida com os detalhes nas respostas de Literatura, a justificativa nas de gramática, a precisão no significado das palavras. "Percebeu" como a metodologia correta poderia conduzir estudantes, tido como atrasados mentalmente, ao desfrute do conhecimento.
Paulinha não conseguia deixar de olhar atentamente o brilho no olhar de Luisinho.
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
Paulinha Passos - 8
Ainda era madrugada, para quem fora dormir por volta das 4 e tivera que levantar às 8h. Rute apressava as meninas para tomarem rapidamente o café, pois poderiam chegar atrasadas para a Solenidade de Abertura do Primeiro Concurso de Literatura e Língua Portuguesa, organizada pela Associação dos Amigos da Criança com Deficiência Mental.
A Ong AMIZADE (Associação dos aMIgos da crianZA com DEficiência) fora criada no ano 2000, por ocasião do Decreto n° 3.298/99, que regulamenta a Lei n° 7.853/89, dispõe sobre a Política Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência. Nesta Ong, muitos pais de crianças com deficiência poderiam encontrar auxílio e orientação em sua missão de educar filhos com algum tipo de deficiência. Há muitos anos Rute era voluntária nesta Associação e, pela primeira vez, levava as meninas para conhecerem-na, pois, quiçá, poderiam ficar interessadas em dispor uma parte de seu tempo livre para ajudar alguém que precisa.
Dentre os muitos Concursos organizados pela AMIZADE, este, de Literatura e Língua Portuguesa, era uma ocasião, esperada pelos educadores da Ong, para mostrar como o fracasso escolar experimentado por muitos estudantes com deficiência mental, era causado, muitas vezes, pela metodologia equivocada empregada pelas Instituições de Educação, por isso, a Escola precisaria repensar sua forma de educar se quisesse continuar sendo eficiente em sua missão.
Rute era voluntária no Ensino de Literatura há cinco anos na AMIZADE. Ficava encantada com o desenvolvimento na leitura de Clássicos da Literatura de seus estudantes, sobretudo com o desabrochar de alguns poetas mirins da Ong. Assim que, há algumas semanas, aguardava com ansiedade este dia, pois queria observar o resultado do investimento de anos. Por isso, apressava as meninas, pois não queria perder um minuto da Festa que começaria às 10 daquela esperada manhã de sábado.
A Ong AMIZADE (Associação dos aMIgos da crianZA com DEficiência) fora criada no ano 2000, por ocasião do Decreto n° 3.298/99, que regulamenta a Lei n° 7.853/89, dispõe sobre a Política Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência. Nesta Ong, muitos pais de crianças com deficiência poderiam encontrar auxílio e orientação em sua missão de educar filhos com algum tipo de deficiência. Há muitos anos Rute era voluntária nesta Associação e, pela primeira vez, levava as meninas para conhecerem-na, pois, quiçá, poderiam ficar interessadas em dispor uma parte de seu tempo livre para ajudar alguém que precisa.
Dentre os muitos Concursos organizados pela AMIZADE, este, de Literatura e Língua Portuguesa, era uma ocasião, esperada pelos educadores da Ong, para mostrar como o fracasso escolar experimentado por muitos estudantes com deficiência mental, era causado, muitas vezes, pela metodologia equivocada empregada pelas Instituições de Educação, por isso, a Escola precisaria repensar sua forma de educar se quisesse continuar sendo eficiente em sua missão.
Rute era voluntária no Ensino de Literatura há cinco anos na AMIZADE. Ficava encantada com o desenvolvimento na leitura de Clássicos da Literatura de seus estudantes, sobretudo com o desabrochar de alguns poetas mirins da Ong. Assim que, há algumas semanas, aguardava com ansiedade este dia, pois queria observar o resultado do investimento de anos. Por isso, apressava as meninas, pois não queria perder um minuto da Festa que começaria às 10 daquela esperada manhã de sábado.
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
Paulinha Passos - 7
No caminho para a casa de Rute, Paulinha e Sofia sugeriram, quase ordenando, que passassem na irresistível lanchonete para comerem o concorrido sanduíche triplo de queijo, ovo e bacon, apelidado carinhosamente pelo bairro de "o sossega leão". Também tomaram milkshake de sobremesa. Rute ficava admirada com a disposição das meninas para aquele lanchinho, pensando como era bom ter estômago de menina.
- Aproveitem, depois dos 20, quero ver essa mesma disposição para o lanchinho!
Quando chegaram a casa, por volta das dez da noite, a mãe das duas, pensava que elas iriam dormir, pois já era tarde e, no outro dia, apesar de sábado, tinham que levantar cedo. Para uma menina de 12 anos, que todos os dias levantava cedo para ir ao colégio, aquilo era como acordar e, de repente, deparar-se com uma espinha.
As meninas ainda tinham fôlego. Insistiram tanto, que a mãe, deixou que elas assistissem àquele filme tão comentado pelas amigas, mas que nenhumas das duas tinha visto ainda.
Após muitas emoções, acompanhadas de esperança, sorrisos, tristeza, alegria, lágrimas, pipoca, refrigerante, já estavam iguais às amigas, pois tinham assistido e se emocionado com o tão comentado filme do ano, que causava muita ansiedade nas meninas por participarem das conversas sobre o filme, na escola, no shopping, nos passeios, onde quer que fossem, sem o terem visto.
Já era madrugada de sábado, Rute não aguentava mais de cansada, mas ainda estava desperta para mostrar às noviças que alguém experiente as observava. Como uma madre superiora, Rute tratou de impor as regras e mandou as meninas dormirem, pois já bastava por aquele dia.
- Já para cama. Paulinha, seu quarto está arrumado!
- Ai, mas eu queria dormir no quarto da Sofia, deixa!
- Deixa mãe! A gente quase nunca se vê e a senhora ainda quer tirar a nossa companhia.
- Tudo bem, mas lembrem-se, amanhã vocês terão de levantar às 8h. Nada de ficar tricotando até de manhã!
- Tricotando? Que é isso?
Depois de explicar o que é tricotar, Paulinha levou seu colchão para o quarto de Sofia. Rute já tinha adormecido. As duas meninas foram para o quarto dormir, ou melhor, para tricotar. Por isso, ao amanhecer elas estavam com aquela cara, quando Rute teve certeza da Lei da Inércia ao tirá-las do repouso.
- Aproveitem, depois dos 20, quero ver essa mesma disposição para o lanchinho!
Quando chegaram a casa, por volta das dez da noite, a mãe das duas, pensava que elas iriam dormir, pois já era tarde e, no outro dia, apesar de sábado, tinham que levantar cedo. Para uma menina de 12 anos, que todos os dias levantava cedo para ir ao colégio, aquilo era como acordar e, de repente, deparar-se com uma espinha.
As meninas ainda tinham fôlego. Insistiram tanto, que a mãe, deixou que elas assistissem àquele filme tão comentado pelas amigas, mas que nenhumas das duas tinha visto ainda.
Após muitas emoções, acompanhadas de esperança, sorrisos, tristeza, alegria, lágrimas, pipoca, refrigerante, já estavam iguais às amigas, pois tinham assistido e se emocionado com o tão comentado filme do ano, que causava muita ansiedade nas meninas por participarem das conversas sobre o filme, na escola, no shopping, nos passeios, onde quer que fossem, sem o terem visto.
Já era madrugada de sábado, Rute não aguentava mais de cansada, mas ainda estava desperta para mostrar às noviças que alguém experiente as observava. Como uma madre superiora, Rute tratou de impor as regras e mandou as meninas dormirem, pois já bastava por aquele dia.
- Já para cama. Paulinha, seu quarto está arrumado!
- Ai, mas eu queria dormir no quarto da Sofia, deixa!
- Deixa mãe! A gente quase nunca se vê e a senhora ainda quer tirar a nossa companhia.
- Tudo bem, mas lembrem-se, amanhã vocês terão de levantar às 8h. Nada de ficar tricotando até de manhã!
- Tricotando? Que é isso?
Depois de explicar o que é tricotar, Paulinha levou seu colchão para o quarto de Sofia. Rute já tinha adormecido. As duas meninas foram para o quarto dormir, ou melhor, para tricotar. Por isso, ao amanhecer elas estavam com aquela cara, quando Rute teve certeza da Lei da Inércia ao tirá-las do repouso.
terça-feira, 16 de novembro de 2010
Paulinha Passos - 6
Seu Ademar chegou ao Shopping, por volta das 21h, pensando na desculpa que dar por estar uma hora atrasado. Sabia da tolerância feminina para o atraso, ainda mais quando se tratava de passar pela massagem, salão, naquele shopping. Sabia também que após algumas horas de sofrimento para ficar linda, o que uma mulher esperava eram elogios, ainda que o maior elogio feminino fosse aquele dado por sua rival.
Nos últimos tempos, além dos centímetros no corte, diferenças na tonalidade de vermelho dos esmaltes, seu Ademar começou a se encantar pela luz resplandecente que inflamava o olhar de Raquel após a magia do salão, além de desenvolver a percepção para o brilho intenso do cabelo. Ainda não se acostumara a perceber algo de novo nas unhas, mas ficava mesmo fascinado era com as maçãs do rosto de sua mulher que saiam da revitalização mais coloradas que de costume.
- Nossa, como você está linda!
- Viu só, hoje por causa de seu aniversário guardei o melhor presente para a noite!
- Meu maior presente é sua alegria. Por sinal, como ficou fantástico seu cabelo! E a pele do rosto, está corada como manga rosada do Norte do Brasil!!!
- Olha as unhas! Percebeu a nova cor de esmalte que estou estreando por causa de seu aniversário. É tomate!
- Parece vermelho, mas tomate é vermelho, então, é vermelho tomate.
- Nada pai, é tomate!!! Vê se aprende: tomate. Vermelho é esse aqui que Sofia está usando!
- Ah, agora sim, percebi a diferença entre vermelho e tomate.
- E eu pai, gostou das luzes que fiz em meu cabelo?
- Está igual a camisa do Atlético, mas tudo bem!!!
- Pai, são luzes para realçar a tonalidade dos fios pretos!!!
- Ah, por isso eles estão diferentes. Você está com rosto novo, renovada!
- Revitalizada, pai! E, tchau, até amanhã, no almoço.
- Tchau? Amanhã no Almoço? Quem lhe deu autorização para ir para algum lugar hoje à noite?
- Eu - disse a mãe. Hoje é seu aniversário e todos vamos dormir fora. Paulinha vai dormir na casa de Sofia. Rute está fazendo umas comprinhas para o lanche das meninas, pois elas irão assistir àquele filme, que o senhor esqueceu-se de levar sua filha para assistir.
- Eita, cobrança! Hoje é meu aniversário! Vocês precisam fazer de tudo para eu ficar feliz!
- Então tá, pai. Para você ficar feliz, vá para casa com mamãe e deixa eu ir, senão ficará tarde!
Rute aproximou-se. Seu Ademar se despediu da filha e das amigas da filha. Fez todas as recomendações que o pai de uma adolescente faz quando está vai dormir fora, ainda que aquela não fosse a primeira vez, mas sempre há algumas regras a lembrar.
Raquel se despediu de Rute e das meninas. Sequestrou Ademar dali, porque queria aproveitar da noite de aniversário com o marido como sempre o fizeram nesses 15 anos de casados, mesmo quando Paulinha era bem pequena, pois esta tinha que ir para a casa da avó passar a noite, ainda que chorando.
Paulinha seguiu com Rute e sua amiga Sofia para mais umas daquelas noites inesquecíveis na casa da amiga.
Nos últimos tempos, além dos centímetros no corte, diferenças na tonalidade de vermelho dos esmaltes, seu Ademar começou a se encantar pela luz resplandecente que inflamava o olhar de Raquel após a magia do salão, além de desenvolver a percepção para o brilho intenso do cabelo. Ainda não se acostumara a perceber algo de novo nas unhas, mas ficava mesmo fascinado era com as maçãs do rosto de sua mulher que saiam da revitalização mais coloradas que de costume.
- Nossa, como você está linda!
- Viu só, hoje por causa de seu aniversário guardei o melhor presente para a noite!
- Meu maior presente é sua alegria. Por sinal, como ficou fantástico seu cabelo! E a pele do rosto, está corada como manga rosada do Norte do Brasil!!!
- Olha as unhas! Percebeu a nova cor de esmalte que estou estreando por causa de seu aniversário. É tomate!
- Parece vermelho, mas tomate é vermelho, então, é vermelho tomate.
- Nada pai, é tomate!!! Vê se aprende: tomate. Vermelho é esse aqui que Sofia está usando!
- Ah, agora sim, percebi a diferença entre vermelho e tomate.
- E eu pai, gostou das luzes que fiz em meu cabelo?
- Está igual a camisa do Atlético, mas tudo bem!!!
- Pai, são luzes para realçar a tonalidade dos fios pretos!!!
- Ah, por isso eles estão diferentes. Você está com rosto novo, renovada!
- Revitalizada, pai! E, tchau, até amanhã, no almoço.
- Tchau? Amanhã no Almoço? Quem lhe deu autorização para ir para algum lugar hoje à noite?
- Eu - disse a mãe. Hoje é seu aniversário e todos vamos dormir fora. Paulinha vai dormir na casa de Sofia. Rute está fazendo umas comprinhas para o lanche das meninas, pois elas irão assistir àquele filme, que o senhor esqueceu-se de levar sua filha para assistir.
- Eita, cobrança! Hoje é meu aniversário! Vocês precisam fazer de tudo para eu ficar feliz!
- Então tá, pai. Para você ficar feliz, vá para casa com mamãe e deixa eu ir, senão ficará tarde!
Rute aproximou-se. Seu Ademar se despediu da filha e das amigas da filha. Fez todas as recomendações que o pai de uma adolescente faz quando está vai dormir fora, ainda que aquela não fosse a primeira vez, mas sempre há algumas regras a lembrar.
Raquel se despediu de Rute e das meninas. Sequestrou Ademar dali, porque queria aproveitar da noite de aniversário com o marido como sempre o fizeram nesses 15 anos de casados, mesmo quando Paulinha era bem pequena, pois esta tinha que ir para a casa da avó passar a noite, ainda que chorando.
Paulinha seguiu com Rute e sua amiga Sofia para mais umas daquelas noites inesquecíveis na casa da amiga.
sábado, 13 de novembro de 2010
Paulinha Passos - 5
Paulinha e Raquel estavam relaxadas!
Desde que chegaram ao Shopping, muitas situações ajudaram na recuperação emocional de mãe e filha: tinham degustado, por primeiro, o delicioso chocolate da concorrida loja considerada a farmácia de reposição hormonal feminina; tinham experimentado, também, a deliciosa massagem corporal de Edgar, o grande amigo das horas difíceis; estavam a par das últimas promoções e, aproveitaram para comprar uma camisa pólo para seu Ademar, depois de comprarem alguns pares de sapatos, alguns vestidos, algumas maquiagem.
Caminhavam tranquilas pelos corredores do imenso Shopping, quando se encontram com Rute e Sofia, esta amiga de Paulinha, aquela, amiga de Raquel. Ambas, filhas das duas.
Por um acaso da natureza, filhas eram amigas de uma década como mães o eram de algumas. Claro é, que para o desabrochar da amizade entre as duas filhas, muito ajudaram as duas mães, pois desde pequenas, as filhas se encontravam em quase todos os lugares onde as mães se encontravam: igreja, viagens, idas aos muitos eventos sociais.
O que fora concebido no princípio, tornou-se fato no presente.
É bem verdade, que as duas meninas, quando da idade em que a razão torna as criancinhas conscientes de que são gentes, começaram a disputar o título de beleza e simpatia, na consideração das amigas das mães.
Para Raquel e Rute, as duas meninas eram iguais em beleza, a ponto de serem consideradas gêmeas. Quando Raquel deu à luz Paulinha, instante depois, Rute o fez com Sofia. Ficaram no mesmo quarto e já no primeiro dia de nascimento, as duas foram apresentadas pelas mães, como as irmãs amigas nascidas no mesmo dia e no mesmo hospital.
Superada a fase em que as meninas disputavam o título de a mais amada, elas compartilharam, no mesmo dia e no mesmo salão, a primeira maquiagem e, desde aquele ritual de passagem, tornaram-se amigas inseparáveis, ou melhor, tornaram-se irmãs, amigas, gêmeas como fora sonhado.
Observando as duas hoje, amigas, irmãs, gêmeas, muitas acreditam que esta amizade fora determinada pelas leis da natureza e da evolução. Um fato que se repete constantemente na história da amizade feminina.
- Olá, queridas, que maravilha encontrá-las por aqui!
- Puxa, se a gente tivesse combinado, não teria sido tão surpreendente!
- O que estão fazendo por aqui? Que maravilhosa está a expressão de vocês!!!
- Estamos desfrutando juntas dos benefícios da natureza feminina!!!
- Hum, passaram no Edgar, não?! Pela fisionomia de vocês só podem ter saído de lá!!!
- É claro amiga!!!
- Como temos gostos semelhantes!!! Também passamos por lá!!!
- Por isso este rosto relaxado!!! Não é a toa que Edgar é recomendado antes do cabelo e da maquiagem!
- Vocês estão indo para o salão?
- Sim!
- Nós também. Então amigas, vamos atualizar as notícias e terminar juntas nossa revitalização!
- Vamos crianças!
- Crianças não, mulheres!
Desde que chegaram ao Shopping, muitas situações ajudaram na recuperação emocional de mãe e filha: tinham degustado, por primeiro, o delicioso chocolate da concorrida loja considerada a farmácia de reposição hormonal feminina; tinham experimentado, também, a deliciosa massagem corporal de Edgar, o grande amigo das horas difíceis; estavam a par das últimas promoções e, aproveitaram para comprar uma camisa pólo para seu Ademar, depois de comprarem alguns pares de sapatos, alguns vestidos, algumas maquiagem.
Caminhavam tranquilas pelos corredores do imenso Shopping, quando se encontram com Rute e Sofia, esta amiga de Paulinha, aquela, amiga de Raquel. Ambas, filhas das duas.
Por um acaso da natureza, filhas eram amigas de uma década como mães o eram de algumas. Claro é, que para o desabrochar da amizade entre as duas filhas, muito ajudaram as duas mães, pois desde pequenas, as filhas se encontravam em quase todos os lugares onde as mães se encontravam: igreja, viagens, idas aos muitos eventos sociais.
O que fora concebido no princípio, tornou-se fato no presente.
É bem verdade, que as duas meninas, quando da idade em que a razão torna as criancinhas conscientes de que são gentes, começaram a disputar o título de beleza e simpatia, na consideração das amigas das mães.
Para Raquel e Rute, as duas meninas eram iguais em beleza, a ponto de serem consideradas gêmeas. Quando Raquel deu à luz Paulinha, instante depois, Rute o fez com Sofia. Ficaram no mesmo quarto e já no primeiro dia de nascimento, as duas foram apresentadas pelas mães, como as irmãs amigas nascidas no mesmo dia e no mesmo hospital.
Superada a fase em que as meninas disputavam o título de a mais amada, elas compartilharam, no mesmo dia e no mesmo salão, a primeira maquiagem e, desde aquele ritual de passagem, tornaram-se amigas inseparáveis, ou melhor, tornaram-se irmãs, amigas, gêmeas como fora sonhado.
Observando as duas hoje, amigas, irmãs, gêmeas, muitas acreditam que esta amizade fora determinada pelas leis da natureza e da evolução. Um fato que se repete constantemente na história da amizade feminina.
- Olá, queridas, que maravilha encontrá-las por aqui!
- Puxa, se a gente tivesse combinado, não teria sido tão surpreendente!
- O que estão fazendo por aqui? Que maravilhosa está a expressão de vocês!!!
- Estamos desfrutando juntas dos benefícios da natureza feminina!!!
- Hum, passaram no Edgar, não?! Pela fisionomia de vocês só podem ter saído de lá!!!
- É claro amiga!!!
- Como temos gostos semelhantes!!! Também passamos por lá!!!
- Por isso este rosto relaxado!!! Não é a toa que Edgar é recomendado antes do cabelo e da maquiagem!
- Vocês estão indo para o salão?
- Sim!
- Nós também. Então amigas, vamos atualizar as notícias e terminar juntas nossa revitalização!
- Vamos crianças!
- Crianças não, mulheres!
domingo, 7 de novembro de 2010
Paulinha Passos - 4
Após o também delicioso descanso pós-almoço, seu Ademar saboreava um estimulante café, para seguir seu trabalho, com a coluna diária do jornal em que trabalha, na qual escreve acerca de política, educação, literatura. Estava pensando em uma possível solução para o problema enfrentado por Paulinha, mas como?! Ainda não sabia o que fazer!!!
Resolvera escrever em sua coluna sobre a loucura. Recordava que lera, anos passados, O Alienista de Machado de Assis e, ficara impressionado com a incerteza provocada pela falta de delimitação precisa entre o racional e o não-racional. Esse tema era muito significativo para os tempos em que vivia, época de eleições federais e estaduais e das confusões provenientes da impressão do ENEM. Sua coluna poderia trazer significativas reflexões para a sociedade brasileira e mineira.
Porém, não deixava de pensar no momento em que Paulinha vivia! O que será que acontecia nas provas feitas por Paulinha? Seria má elaboração das questões? Seria similitude nas respostas objetivas? - isso o fez recordar-se de Vanilda, a saudosa professora de Literatura que tivera - Seria Paulinha incapaz de refletir de acordo com as razões do coração? - isso não!!!
No final daquela tarde, seu Ademar pensava na Loucura, pensava na racionalidade tecnico-científica, pensava nas razões do coração, adepto que era desta! Tinha que acabar de escrever sua coluna para o Jornal, pois já eram 18 horas e, em duas horas teria que ir ao Shopping, em seu novo carro de cor preta, buscar Paulinha e Raquel, que tinham saído abatidas rumo ao local onde elas gostavam de relaxar e revitalizar-se.
Resolvera escrever em sua coluna sobre a loucura. Recordava que lera, anos passados, O Alienista de Machado de Assis e, ficara impressionado com a incerteza provocada pela falta de delimitação precisa entre o racional e o não-racional. Esse tema era muito significativo para os tempos em que vivia, época de eleições federais e estaduais e das confusões provenientes da impressão do ENEM. Sua coluna poderia trazer significativas reflexões para a sociedade brasileira e mineira.
Porém, não deixava de pensar no momento em que Paulinha vivia! O que será que acontecia nas provas feitas por Paulinha? Seria má elaboração das questões? Seria similitude nas respostas objetivas? - isso o fez recordar-se de Vanilda, a saudosa professora de Literatura que tivera - Seria Paulinha incapaz de refletir de acordo com as razões do coração? - isso não!!!
No final daquela tarde, seu Ademar pensava na Loucura, pensava na racionalidade tecnico-científica, pensava nas razões do coração, adepto que era desta! Tinha que acabar de escrever sua coluna para o Jornal, pois já eram 18 horas e, em duas horas teria que ir ao Shopping, em seu novo carro de cor preta, buscar Paulinha e Raquel, que tinham saído abatidas rumo ao local onde elas gostavam de relaxar e revitalizar-se.
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
Paulinha Passos - 3
- Você não foi bem na última etapa? como assim? - perguntara o pai, com aquele ar de preocupação.
- Não pai, não fui bem! Tirei algumas notas boas: 7,5 em matemática; 6,5 em ciências; mas em português e, sobretudo, na parte de interpretação de textos, fiquei com 3.
- Mas minha filha, você sabe ler! Eu tenho certeza disso, pois desde os seis anos eu lhe acompanho nas encenações teatrais que acontecem na Igreja, como vai mal em interpretação de textos? não conheço melhor intérprete da história de Sansão e Dalila!
- É pai, mas não sei mesmo por que não vou tão bem na parte de interpretação de textos! Pediram para ler um livro até interessante, me diverti bastante com O Alienista de Machado de Assis! Mas quando era para responder às perguntas da professora Adelia sobre o livro, não sabia o que escrever, fiquei nervosa e a história que contava no livro esvaziou-se do meu cérebro. Pior ainda, foi na parte objetiva do livro. Por que será que professores de literatura elaboram perguntas tão difíceis e dão alternativas tão parecidas?!
Seu Ademar compreendia muito bem a situação pela qual estava passando Paulinha. Pensava que poderia ser resultado da genética, pois ele também não fora bem nos exames de Literatura que fizera anos antes, durante o Ensino Médio e, sobretudo, no vestibular. Apesar de gostar muito de literatura universal e, acima de tudo, literatura brasileira, nunca foi bem aprovado nas provas de Literatura, ainda mais quando eram questões objetivas. Só podia ser coisa de genética mesmo!
- Não pai, não fui bem! Tirei algumas notas boas: 7,5 em matemática; 6,5 em ciências; mas em português e, sobretudo, na parte de interpretação de textos, fiquei com 3.
- Mas minha filha, você sabe ler! Eu tenho certeza disso, pois desde os seis anos eu lhe acompanho nas encenações teatrais que acontecem na Igreja, como vai mal em interpretação de textos? não conheço melhor intérprete da história de Sansão e Dalila!
- É pai, mas não sei mesmo por que não vou tão bem na parte de interpretação de textos! Pediram para ler um livro até interessante, me diverti bastante com O Alienista de Machado de Assis! Mas quando era para responder às perguntas da professora Adelia sobre o livro, não sabia o que escrever, fiquei nervosa e a história que contava no livro esvaziou-se do meu cérebro. Pior ainda, foi na parte objetiva do livro. Por que será que professores de literatura elaboram perguntas tão difíceis e dão alternativas tão parecidas?!
Seu Ademar compreendia muito bem a situação pela qual estava passando Paulinha. Pensava que poderia ser resultado da genética, pois ele também não fora bem nos exames de Literatura que fizera anos antes, durante o Ensino Médio e, sobretudo, no vestibular. Apesar de gostar muito de literatura universal e, acima de tudo, literatura brasileira, nunca foi bem aprovado nas provas de Literatura, ainda mais quando eram questões objetivas. Só podia ser coisa de genética mesmo!
terça-feira, 2 de novembro de 2010
Paulinha Passos - 2
- Que menina linda essa que eu fiz! Isto dizia o pai de Paulinha, sem ainda saber das últimas conquistas escolar da menina.
- Que pai mais lindo esse que eu tenho! Isto dizia Paulinha a seu Ademar, tentando ter o total espaço do coração do pai antes da revelação.
O almoço seguia normal, coisa muito comum em casa de Paulinha, visto que seu pai trabalhava em casa e sua mãe, sempre que podia estava presente nas refeições, pois ela trabalhava com vendas diretas.
Fora isso, era um dia especial: o frango assado, o arroz colorido, o vinho, a goiabada com creme de leite, transformavam aquele dia de celebração pelos 40 anos de Ademar, numa singela degustação dos sabores simples que a vida oferece.
Dona Raquel, mãe de Paulinha, era o puro contentamento e júbilo pela familia que tinha: um belo marido, uma linda filha. Moravam num belo apartamento no Padre Eustáquio. Não tinham cachorros, nem gatos.
Após o almoço, Raquel convidou Paulinha ao quarto para buscarem a chave do presente que ambas tinham comprado a seu Ademar: o sonhado sedan. Quando seu Ademar desceu correndo para ver a cor do carro, fiquei imensamente satisfeito, pois era preto. Queria sair com as duas para dar uma volta pelo bairro, mas Paulinha não deixou, pois ele estava meio leve, por conta do vinho.
Paulinha aproveitou a ocasião e, na garagem, ainda confiante no vislumbre paterno e na compreensão materna, disse: - pai, mãe, a diretora Regina pediu para vocês passarem na Escola. Ela quer conversar com vocês, pois não fui muito bem na última etapa.
- Que pai mais lindo esse que eu tenho! Isto dizia Paulinha a seu Ademar, tentando ter o total espaço do coração do pai antes da revelação.
O almoço seguia normal, coisa muito comum em casa de Paulinha, visto que seu pai trabalhava em casa e sua mãe, sempre que podia estava presente nas refeições, pois ela trabalhava com vendas diretas.
Fora isso, era um dia especial: o frango assado, o arroz colorido, o vinho, a goiabada com creme de leite, transformavam aquele dia de celebração pelos 40 anos de Ademar, numa singela degustação dos sabores simples que a vida oferece.
Dona Raquel, mãe de Paulinha, era o puro contentamento e júbilo pela familia que tinha: um belo marido, uma linda filha. Moravam num belo apartamento no Padre Eustáquio. Não tinham cachorros, nem gatos.
Após o almoço, Raquel convidou Paulinha ao quarto para buscarem a chave do presente que ambas tinham comprado a seu Ademar: o sonhado sedan. Quando seu Ademar desceu correndo para ver a cor do carro, fiquei imensamente satisfeito, pois era preto. Queria sair com as duas para dar uma volta pelo bairro, mas Paulinha não deixou, pois ele estava meio leve, por conta do vinho.
Paulinha aproveitou a ocasião e, na garagem, ainda confiante no vislumbre paterno e na compreensão materna, disse: - pai, mãe, a diretora Regina pediu para vocês passarem na Escola. Ela quer conversar com vocês, pois não fui muito bem na última etapa.
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