Já era tarde, por volta das 11h, quando Paulinha escutou a voz de Raquel que a chamava.
Rapidamente, levantou-se da cama, enrolou-se no lençol que estava no sofá ao lado da cama, abriu a porta e deparou-se com sua mãe, que havia antecipado em algumas horas o reencontro. Paulinha abraçou sua mãe e disse que a amava muito, mais que tudo. Estava muito agradecida por ser filha dela e de seu Ademar.
Aquela cena deixou Raquel um pouco preocupada. É claro que Paulinha sempre declarar seu amor ao pai e à mãe. Porém, daquele modo, nunca o fizera. Além disso, Paulinha estava mais radiante que de costume.
Quando Rute entrou no quarto, deparou-se com aquela comovedora cena de abraço entre mãe e filha. Então, afastou-se bem devagar para não interromper aquele momento de comunhão entre as duas. Retirou-se.
- Mãe, conte para mim qual foi a coisa mais bela que você já viu.
- Deixa eu pensar... Uma coisa muito bonita que vi, certa vez, foi o rosto de uma menina linda que nunca canso de ver.
- Mãe, estou falando sério! Não quero a opinião da mãe, mas da observadora de detalhes.
- É que você me pegou desprevenida. Já vi muitos bebês lindos, muitos céus azulados, muitas paisagens, muitas pessoas lindas. Gosto muito de ver pessoas belas. A combinação de cabelo, com rosto, expressão e, sobretudo, olhos, sem dúvida é uma das coisas mais belas de se ver. Porém, o local, o momento, influenciam a percepação da beleza, a percepção dos detalhes que diferenciam o comum, o cotidiano do singular, do individual. Por que você está perguntando isso?
- Ontem, vi a coisa mais linda do mundo!
- É mesmo! Então conta tudo em detalhes!
Paulinha seguiu relatando cada passo de seu dia, desde o olhar pesado com que amanhecera até o olhar relaxado com que adormecera. Contou todos os detalhes do local e do momento em que experimentara a visão da sublime beleza.
Raquel compreendeu o que passara e tranquilizou-se, pois até aquele momento estava preocupada, visto que Rute a despertara cedo com um telefonema urgente informando que Paulinha não dormira com Sofia, como das outras vezes, nem tinha levantado até a hora em que ligara.
Raquel percebeu que Paulinha estava um pouco diferente porque tinha experimentado algo único, indescritível. Por mais que quisesse explicar, justificar, não poderia expressar o que experimentara.
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