Renato Tavares

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quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Paulinha Passos - 19

- Já estava preocupada pensando no que poderia ter acontecido, pois faz mais de duas horas que vocês deixaram a gente aqui nesta adega e, desceram um pouco a serra para olhar a paisagem.
- Mãe, como é bom estar aqui! como é boa a nossa vida! como é legal fazer parte desta família!
- O que aconteceu?
- Nada mãe! Precisa acontecer algo de extraordinário para podermos expressar aquilo que sentimos, aquilo que desejamos?! Se for preciso, então, aconteceu algo extraordinário. Por duas vezes, hoje, pude ver como tem coisa bonita no mundo!!!
- O que papai te deu?
- Dei a melhor experiência que alguém que mora em Petrópolis pode dar: mostrei o horizonte fluminense, desde aquele irresistível mirante!
- Ah, então foi isso! Agora entendo por que esta expressão no rosto de Paulinha.
Seu Ademar falou isso, porque ele também, quando adolescente, gostava de fugir dos pais, para poder ir a aquele mirante, olhar o horizonte. Lembrou-se da sensação de desejar voar. Não era adepto de esportes radicais, mas desde aquele mirante, qualquer um tinha vontade de voar. Todas às vezes que sentia desejo de tomar uma decisão na vida, como quando estava decidindo ir ao Rio ou a Belo Horizonte estudar História, seu Ademar corria ao mirante amigo e, assim, decidia que voo tomar.
Certa vez, aconteceu um fato que confirma a paixão de seu Ademar por aquele mirante.
Dona Doralice tinha chamado a atenção do filho por este desorganizar a casa que tinha sido arrumada por Aline, secretária do lar. O fato foi que, diante da bronca que levou da mãe, o pequeno Ademar, então com 12 anos, ficou muito furioso e ameaçou sair de casa para ter seu espaço, onde pudesse viver tranquilamente.
Ainda cedo, no outro dia, quando Doralice foi chamar o menino para ir à Escola, deparou-se com o quarto e algumas gavetas do armário vazios. Ficou desesperada e chamou o marido, este, alguns vizinhos, depois a polícia e, iniciaram a busca pelo menino.
No final daquele dia, por volta das 17h, seu Lourival desesperado, resolveu ir ao mirante, para ajoelhado, pedir a Deus que o ajudasse a encontrar o menino. Foi quando em meio à oração, que dizia mais ou menos, "Senhor, ajuda-me a encontrar meu filho", percebeu que haviam alguns rastros no mato, ao redor daquele lugar.
Movido pelo cheiro do menino que ainda estava no ar, seu Lourival desceu e encontrou o pequeno Ademar dormindo na parte de baixo do mirante, que desde então, tornou-se o Tabor de seu Lourival.
- Foi isso mesmo! A gente estava olhando o horizonte fluminense, desde aquele lugar!!!

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