Renato Tavares

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sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Paulinha Passos - 20

A sensação de voar é uma das mais fascinantes experiências da infância humana. Talvez seja por isso, a atração experimentada por Paulinha no mirante de Petrópolis, ou no mirante em Juiz de Fora, ou inclusive no mirante das Mangabeiras, em Belo Horizonte, onde costumava passear.
A sensação de observar do alto encanta o ser humano em seu desejo de voar.
À medida que vamos passando da idade infantil para uma idade adulta, os sonhos nos quais voamos, desaparecem paulatinamente, até o dia em que nós, sem percebermos, deixamos de sonhar, pois o despertador avisa que é hora de levantarmos para seguirmos cá embaixo.
Será que o fato de deixar de sonhar voando é a causa de nosso amadurecimento? Será que quando fazemos a experiência da consciência, com a qual nos tornamos humanos, caímos em si e deixamos de querer ser pássaro?
Naquela primeira noite de Natal, desde o alto do mirante, Paulinha sentiu o mesmo fascínio, que outrora sentira seu pai. Por isso, o tempo passou e ela não percebeu como também seu pai não percebera o passar do tempo, quando desobedecera.
Porém, esta história não é um tratado metafísico sobre a experiência do tempo, muito menos uma descrição kantiana das formas da sensibilidade. Esta história pretende apenas descrever a passagem de Paulinha por algumas experiências que a tornaram outra pessoa, sem deixar de ser a mesma pessoa.
Livra-me Deus desta filosofação!
Apesar de gostar de ser águia, Paulinha percebeu que na vida, também há momentos em que é preciso ficar cá embaixo, proteger, cuidar, amar, o que é seu, ainda que muitas vezes seja preciso suar, dar o sangue, estar disponível a qualquer sacrifício. As galinhas também têm seu valor.
Quando voltaram para casa, Paulinha e Raquel foram logo dormir, cansadas estavam da viagem. É claro que ainda tiveram tempo de conversar um pouco sobre o que aconteceu no mirante. Seu Ademar e Seu Lourival aproveitaram da ocasião, abriram uma deliciosa garrafa de vinho e degustaram da conversa e companhia um do outro.

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