Paulinha estava maravilhada com aquela experiência que estava vivenciando. Estar no mirante, que desde Petrópolis mostra a extensão de luzes do Rio de Janeiro, é um inesquecível momento de contemplação, agraciado pelo frescor da brisa que rocia a face de quem se permite estar ali. Um momento ímpar, na sucessão de momentos.
Aliás, Paulinha já tinha passado por semelhante experiência hoje, quando depois do almoço, próximo a Juiz de Fora, observava sonolenta a paisagem, desde o sedan novo que ia a 100 km/h. Seu pai estava concentrado na direção, enquanto sua mãe degustava a sesta que chega depois do almoço.
Ia Paulinha tranquila, observando pela janela, do lado direito de quem vai de BH ao Rio, quando percebeu maravilhada a extensão verde de montanhas. Pediu a seu pai que parasse e, desde o mirante construido ali, diríamos que para ela ter esta experiência, contemplou maravilhada a extensão finita de montanhas verdes.
Agora, Paulinha estava tendo sensação semelhante, porém intensificada pelo mistério que a escuridão noturna traz consigo.
- Daqui de cima, olhando este horizonte infinito de luzes pontilhadas, refrescada pela brisa que sopra, a gente conhece verdadeiramente como a natureza é bela.
- Minha filha, há cinquenta anos, quando cheguei a estas paragens, a gente sentia medo da solidão, hoje, a gente percebe como está cheio de gente lá embaixo. A luz mostra que a gente tem companhia neste mundo!
Paulinha saiu dali pensando na última frase de seu avô. Sabia que era verdade que a luz mostra a companhia de outras luzes no mundo. Porém, também era verdade que cada luz isolada era solitária. Seu avô sempre se queixava de estar sozinho no mundo, apesar da certeza de que seu filho estava de longe. Talvez fosse por gostar de tê-lo bem próximo de si. Verdade é que cada luz faz parte da bela paisagem.
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