Renato Tavares

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quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Paulinha Passos - 15

Antes de dormir, seu Ademar ainda estava pensando na solução para o problema de Paulinha: tinha de ajudar a filha, na recuperação em Português. Como? Quem sabe um professor particular! Onde encontrar um, em véspera de Natal e Ano Novo? Além disso, na quarta viajariam para Petrópolis, pois iriam passar o Natal, na casa do avô paterno, antes de seguirem ao Rio, para a Festa da Virada.
O certo era que se não encontrasse solução para este problema, na primeira semana, após as Festas, Paulinha teria de fazer o exame de recuperação, sem ter sido preparada para isso.
- Amor, ainda acordado?! Perdeu o sono? Algum problema com o trabalho?
- Nada de trabalho, a coluna para o Jornal só retornará na segunda quinzena de Janeiro, o problema é outro: o que vamos fazer com a Paulinha? Depois de amanhã viajaremos e, só regressaremos na véspera da prova!
- Uai, você não fala com toda autoridade que Machado de Assis é o melhor escritor da Língua Portuguesa?! Por que você não dá aula para Paulinha?! Além do mais, não conheço melhor professor de Português!!!
- Já pensei nisso, faz mais de 20 anos que li O Alienista, lembro muito pouco da história.
- Nooossaaa!!! Mas você vive falando que este é o melhor livro de Machado!!!
- Nada disso, o melhor é Quincas Borba! E também gosto de O Alienista!
- Então?
- Será?
- Não conheço melhor professor. E tem mais: onde a gente vai encontrar alguém para dar essas aulas em Petrópolis e no Rio de Janeiro?!
Seu Ademar foi para o computador, apesar da insistência de Raquel para que ele fosse dormir. Entro naquele famoso sitio de busca e começou por se interar, brevemente, da história. Depois, no portal dominiopublico.gov.br , baixou as trintas páginas da história e as imprimiu. Passou todo o restante da noite e início da madrugada lendo O Alienista. Divertiu-se muito com as peripécias do médico Bacamarte ao tentar encontrar o limite entre o racional e o irracional, a fronteira da loucura, aquela que supostamente seria a fronteira entre o humano e o não-humano.

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