Luisinho estava um pouco abatido por não ter conquistado o primeiro lugar no concurso de Literatura. Rute de todas as formas mostrava para ele como era importante a participação na competição, não apenas a medalha do primeiro lugar. Além do mais, ele conhecia bastante do Quincas Borba e de O Alienista, porém fora surpreendido com perguntas de Dom Casmurro, obra que Luisinho apenas tinha escutado algo dela, mas não a tinha lido.
Luisinho estava triste e Rute tentando animá-lo!
Paulinha aproximou-se deles e perguntou a Luisinho o que mais gostara em O Alienista, para ter um carinho especial, por este conto, não muito divulgado.
- A incerteza diante da inteligência humana. Sempre escutei as pessoas falarem que não sou inteligente, que não sou capaz, mas aqui na AMIZADE, principalmente com a Professora Rute, aprendi que esforçando um pouco, com a ajuda certa, posso também ser considerado um animal racional.
Paulinha contou para Luisinho que estava de recuperação em Interpretação de Texto, por causa deste livro tão querido a ele. Tinha que aprender a interpretá-lo, se quisesse terminar o Ensino Fundamental. Ficou muito impressionada com a capacidade dele, sobretudo sua memória, que lhe fazia lembrar-se de alguns detalhes despercebidos por ela, quando lera este livro.
- Inteligência, animal racional, isto é minha principal preocupação e, quando não conquistei o primeiro lugar no concurso, fiquei pensando se, em meus 18 anos, eu poderia ser considerado inteligente!
Aquelas indagações de Luisinho ficaram gravadas na memória de Paulinha, além do intenso brilho de seu olhar. Por isso, estava um pouco reflexiva, desde que saíra da Ong depois de despedir-se de Luisinho e da mãe dele. Depois de deixar aquele ambiente de sorriso e de muita acolhida. Depois de, silenciosamente, regressar para casa de Rute, com sua outra mãe e sua irmã que acompanhavam Paulinha no silêncio.
Nenhum comentário:
Postar um comentário