Renato Tavares

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segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Informação

Na palavra informação, é possível perceber nas três palavras/ideias que a compõe aquilo que acontece quando alguém obtém a informação: IN - FORMAR - AÇÃO.
Informação, portanto, é um ato de se formar para uma ação. Aquele que se informa, está se capacitando para uma ação.
Essa reflexão me ocorreu por acompanhar nos últimos dias o processo de campanha eleitoral que atravessa o Brasil, nos últimos dois meses.
Estamos a uma semana da eleição. No próximo domingo, iremos decidir o que queremos para os próximos quatro anos: elegeremos deputados, senadores, governadores e o/a presidente.
No início da campanha, ocorreu a morte do candidato Eduardo Campos e sua sucessão por Marina Silva. As primeiras pesquisas indicavam a vitória da acreana, e as derrotas de Dilma do PT e de Aécio do PSDB. Então, as campanhas dos supostos dois derrotados partiram para o ataque e desconstrução da imagem de Marina do PSB.
Não estou refletindo sobre se acho correto ou não essa estratégia de avance político. Estou refletindo sobre o processo de IN-FORMAR para a AÇÃO.
Como é possível saber, VEJA e ISTO É são duas revistas oposicionistas ao governo do PT, portanto, fonte de informação para os militantes do PSDB. CARTA CAPITAL E BRASIL 247 são duas revistas que não se cansam de defender o governo do PT, portanto, fonte de informação para os militantes do PT.
O inevitável aconteceu.
Acompanho, estarrecido, alguns de meus amigos psdbistas ferrenhos citando BRASIL 247 para mostrar que Marina não é isso que aparenta ser. Mais assustado fiquei com amigos meus petistas citando VEJA para desconstruir a imagem de Marina
O inevitável aconteceu.
A dita esquerda partindo para a ação após se informar nos manuais de informação da dita direita, a dita direita partindo para a ação após se informar nos manuais de informação da dita esquerda.
O inevitável aconteceu.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

FOCO

Jorge era um jovem que aparentava ter um objetivo definido na vida e saber onde queria chegar.
Porém, ele escutava muito o que as pessoas opinavam sobre sua vida, sobre seu comportamento, sobre o que o faria feliz.
- Não sei, mas acho que esse curso que você está querendo fazer não é o melhor - dizia Lucas, seu "amigo".
- Eu sempre quis fazer esse curso, a vida inteira eu pensava em seguir essa carreira - retrucava Jorge.
- O mercado de trabalho não está bom para essa área.
- O mais importante é ser feliz naquilo que se fazer.
- Como ser feliz se você não encontrar oportunidade de trabalho em sua área, ficará com o bolso vazio.
- É, acho que você tem razão.
Assim, Jorge deixou de fazer o curso que sempre dizia que queria, que era sua vocação, e foi tentar um curso que estivesse mais em alta, cujas expectativas de emprego fossem maiores, cuja remuneração fosse grande.
Tempo depois, Lucas se encontra com Jorge.
 - Nossa! Fiz o curso que você dizia ser sua vocação. Realmente, não há nada melhor que trabalhar nessa área, você trabalha com alegria, a remuneração vem por consequência. Não sei se trabalho ou me divirto.
- E o mercado de trabalho?
- O importante é ser feliz, fazer aquilo que mais agrada, que traz felicidade.
- E a remuneração?
- O mercado sempre está disposto a remunerar melhor aqueles que trabalham melhor.
- Nossa! Até ganho um pouco mais, em meu trabalho (retrucou Jorge), mas o trabalho é cansativo, chato. Se tivesse outra oportunidade, eu mudaria de área, mas tem que ser uma área que paga pelo meus títulos.
- Jorge, o mercado sempre está disposto a remunerar melhor aqueles que trabalham melhor.
Assim, Jorge outra vez deixou de fazer o que aparentava ser sua vocação para dar ouvidos às opiniões alheias. Na verdade, não sabia qual era seu objetivo, não sabia onde queria chegar.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Novos Horizonte

"Vê se toma juízo e acaba com essa constante peregrinação"
Desse modo, Daiana disse "até logo", antes que eu deixasse Bambuí e partisse para Formiga. Porém, antes tive que passar por Belo Horizonte e, tanto na ida, quanto na volta eu pensava comigo que, realmente, minha vida, até então tinha sido uma constante peregrinação.
Uma década no Rio, outra no Pará, umas passagens por Venezuela, Paraíba, até chegar a Minas, e estar por aqui, quase outra década.
Peregrinação!
Boa definição para o que considero minha vida, uma constante de chegadas e partidas, fazendo amigos, ora por aqui, ora por ali, sempre indo, talvez não sem rumo, mas numa contínua mudança.
Agradeço o que pude experimentar nesse ano em Bambuí, mas agora é seguir em frente, novos horizontes, agora, em Formiga, que espero que seja minha casa por um longo tempo.
Como "sabiamente" me advertiu Lucas, é melhor não querer encontrar um lugar para chamar de meu, pois quando isso acontecer, significa que já estou pronto para morrer, o que apesar de nunca saber quando, espero que ainda não esteja próximo.
Por ora, abertura, disponibilidade, simpatia para, outra vez, chegar e tornar-me familiar nessa cidade, que sim, escolhi para viver.


   

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

IFMG campus Bambuí

Interessante é observar nos olhos dos meninos e meninas, que ingressam no IFMG campus Bambuí, a alegria da conquista de poder estudar em uma "Federal" como dizem por aqui, em Bambuí, MG, ou como leio em algumas camisas: "Foi mal, a minha é Federal"
A alegria que se manifesta no prazer com que alguns estudantes retiram seus cabelos e exibem com orgulho, pela cidade, suas carecas reluzentes. Alegria que se manifesta no prazer com que algumas estudantes pintam seus rostos e exibem com orgulho, pela cidade, as marcas da aprovação.
É claro que observo alguns exageros, mas não estou a comentar a civilidade ou não dos chamados trotes.
Estou a comentar como é bom ver a alegria nos rostos desses meninos e meninas que ingressam no IFMG campus Bambuí. É claro, como os chamados "kaloros", ou "bi-kaloros" costumam ressaltar, é difícil, os professores, a instituição, são exigentes. Porém, nos mesmos rostos alegres, observo, também, a determinação e coragem de aceitar o desafio, a ousadia de dizer estudarei mais se preciso, a certeza de que dias melhores estão reservados para aqueles que se esforçam.
Agora, sim, posso desejar a todos felicidades em 2014!

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Povo Feliz

Dizem, por aí, que o primeiro passo para o empreendimento é imaginar, sonhar, idealizar um projeto. O segundo passo é traçar os objetivos, as metas e detalhar como serão atingidas as etapas do projeto. Depois, trabalhar arduamente, sem cessar. Outros passos necessários, avaliar, refazer alguns objetivos, algumas metas, voltar ao trabalho árduo...
No início de mais um ano, além das velhas reclamações sobre o calor, a avaliação de alguns economistas de que, por fim, o país irá quebrar, ou as análises sobre as campanhas políticas, sobre a copa, sobre os aeroportos, sobre as estradas, leio uma reportagem de que o brasileiro é o décimo povo do mundo em otimismo.
Interessante, pois os especialistas afirmam que o Brasil não vai bem, de que a economia está estagnada, de que o emprego está retraindo, etc. Interessante, pois em meio a tanto pessimismo, por parte de alguns setores da mídia, o brasileiro é o décimo povo mais feliz do mundo.
Não sou especialista, luto muito contra o pessimismo, sempre estou disposto a ouvir notícias que confirmam que a coisa está feia, mas saber que o brasileiro está feliz, que é otimista, faz com que, no início deste 2014, no momento em que estou planejando o ano, traçando os objetivos, as metas, eu considere com otimismo e encanto o futuro, que ouça esse povo feliz, otimista.


terça-feira, 26 de novembro de 2013

Todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus

"Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito". (Rm 8, 28)
Há três anos, passava pela Fernão Dias, acreditava naquela época que passara por Bragança Paulista. Há três anos, passava por uma placa próxima à estrada que afirmava que tudo acontecia, cooperava, para o bem daqueles que amam a Deus.
Fiquei confiante!
Fui aprovado para o Mestrado em Filosofia.
Há quase duas semanas, passava agora sim, pela cidade de Atibaia, quando fui surpreendido pela mesma placa, que impregnava meu coração da mesma certeza de que as coisas aconteciam para meu bem, pois eu amo a Deus.
Confiante, outra vez!
Fui aprovado para o Doutorado em Filosofia.
Naquela época, tinha me inscrito em um mestrado, após ser reprovado por três vezes em outro. Eu me inscrevi apenas para ver o que acontecia. Fui aprovado e cursei o melhor mestrado que poderia ter imaginado.
Dessa vez, não sei por que, mas me inscrevi em um doutorado que acredito ser bom, apesar de novo, tem um corpo docente respeitável. Estou confiante em fazer o melhor doutorado que possa imaginar.
Escrevi essas linhas para registrar que, embora às vezes cansado, desanimado, sem muita esperança, é preciso seguir em frente, confiar, acreditar que realmente, quando se ama a Deus, todas as coisas acontecem, cooperam para o bem de seus filhos.

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Massa de manobra

- Os jovens de hoje são alienados, não têm consciência política, não protestam por nada, vivem trancados em casa, presos ao computador.
Com esses pensamentos, Isaac acreditava que a juventude contemporânea era apolítica, não se posicionava, não expressava sua opinião, pior, segundo ele, a juventude contemporânea não tem conhecimento da realidade, vive sabe-se lá em que mundo.
Os tempos mudaram, Isaac começou a presenciar a juventude tomar conta da rua, a ocupar os espaços públicos, a tomar as praças, a reivindicar seus direitos, a exigir mudança na forma com que os governantes administram as coisas públicas.
- A juventude acordou, fazia tempo que estava dormindo, pensava que nunca iriam lutar por seus direitos, acreditava que não tinham consciência política.
As manifestações continuaram, intensificaram-se. O que ocorria apenas em dias esporádicos começou a ocorrer todos os dias, impedindo o fluxo dos carros na cidade em que Isaac residia. Pior, começou a ocorrer conflitos entre os jovens e a polícia, cenas de violência eram vistas por todos os lados.
- Essa juventude é baderneira, um bando de vândalos, impedem as pessoas de usufruir dos espaços públicos, não tem jeito, são uns inconsequentes, massa de manobra.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Conhecimento de si

"Quem não conhece a história está condenado a repetir os mesmos erros".
Essa afirmativa, ou outra semelhante, demonstra a necessidade de se conhecer a história, caso contrário, há o risco de tornar a fazer as mesmas coisas e chegar aos mesmos resultados.
Conhecer a própria história é uma das características daquele que "ousa ser inteligente". É necessário o conhecimento da própria história, pois através dessa prática, é possível chegar longe, próximo ao objetivo principal, ou mesmo, é possível não repetir erros que dificultam à pessoa ser bem sucedida.
Para o conhecimento da própria história, um exercício que deve ser feito constantemente, é o exame de consciência, pois através da prática de observação dos passos vividos ao longo do dia, a pessoa que se examina sabe reconhecer seus erros e acertos, sabe quais situações/ações precisam ser corrigidas e quais precisam ser intensificadas.
O conhecimento da própria história, uma das características de quem "ousa ser inteligente", auxilia na aproximação do objetivo principal, auxilia no exercício de autoconhecimento, principalmente, faz com que o ser humano se torne cada vez mais consciente de suas potencialidades e fragilidades, se torne mais humano. 

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Tranquilidade


Rogério era um sujeito trabalhador, simpático, que gostava de desfrutar de uma boa mesa e da companhia de seus amigos. Não comia, como costumava dizer, fazia refeições, que significa desfrutar da boa companhia e de boa comida, de boa bebida.
Nos últimos dias, Rogério estava um pouco preocupado com as muitas avaliações, exames que se aproximavam. Rogério não conseguia dormir, não conseguia relaxar, estava sempre preocupado com o tempo que se aproximava.
- Não se desespere, vai dar tudo certo!
- Não se preocupe, confie em Deus que o que é teu está guardando.
Essas palavras entravam por um ouvido, saia pelo outro. Rogério confiava em Deus, acreditava que tudo daria certo, porém, a pressão dos dias que se aproximavam o tornava
estressado, preocupado. Os amigos não percebiam o fervilhar interno de Rogério, pois viam que seu externo aparentava tranquilidade, serenidade.
- Queria ser como ele, quanta tranquilidade!
- Se fosse comigo, estaria desesperada.
Rogério não se esforçava para aparentar algo que não fosse, apenas vivia o momento: os mais próximos sabiam que ele estava preocupado, intranquilo, os não tão próximos acreditavam que ele estava sereno, tranquilo.
Rogério tinha certeza da preocupação, da solidariedade de seus amigos. Porém, o momento que se aproximava era seu, ninguém poderia viver por ele, apesar de poder estar junto. Rogério tinha certeza que mesmo preocupado, tudo daria certo, pois confiava em Deus, mas não gostava de ouvir a insistência de que não se desesperasse.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Um tempo para cada coisa

"Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do céu" (Ec 3, 1).
As pessoas, normalmente, gastam seu tempo angustiando-se, muitas vezes, por aquilo que ainda vai acontecer, outras vezes, sofrem por aquilo que já aconteceu.
Faz parte do humano querer sair do tempo presente e tentar, ou antecipar o futuro, ou querer trazer de volta o passado. Porém, faz-nos mais ainda humanos viver o tempo presente, o instante, o agora.
É claro que precisamos planejar o futuro, caso contrário, ele chegará e pode acontecer que não estejamos preparados com suas surpresas. É claro que precisamos aprender, avaliar o passado, caso contrário, corre-se o risco de repetir os mesmos erros. Porém, é claro que é preciso viver intensamente o presente, pois é possível que se passe a vida sem viver, e viver é hoje, aqui, agora.
Como afirma o Eclesiastes, há um tempo determinado para cada coisa, para plantar, para colher, para nascer, para viver.
É preciso que nós, os humanos, saibamos viver cada momento que a vida nos oferece.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

O ovo ou a galinha

"Nem tanto à terra, tem tanto ao mar".
Um tema que merece uma reflexão é o da relação entre o indivíduo e o meio em que vive.
Alguns defendem a ideia de que o meio corrompe o indivíduo, ou como dizem, "filho de peixe, peixinho é". Defendem a ideia de que dependendo das circunstâncias em que uma pessoa é criada, ela já está determinada a ser de uma determinada forma, a agir de certo modo.
Outros, porém, defendem a ideia de que o indivíduo é quem é o único responsável por aquilo que lhe acontece, o indivíduo é quem cria o meio, ou como dizem, "o que mais importa é o que você fará com aquilo que fizeram com você". Defendem a ideia que você é o único responsável pelo seu destino.
"Nem tanto à terra, nem tanto ao mar".
Na Amazônia, um dos meios de transportes mais utilizados é a canoa, principalmente em curtas distâncias. Uma das primeiras lições que lhe ensinam é saber remar, igualmente, dos dois lados, caso contrário, a canoa não avança, mas fica dando voltas circulares.
Por isso, nem o meio corrompe, totalmente, o indivíduo, nem o indivíduo é tão independente assim do meio. O indivíduo é o único responsável por aquilo que lhe acontece, o meio não tem poder absoluto sobre ele. Porém, também, o indivíduo está inserido em um meio, que influencia suas decisões.
"Nem tanto à terra, nem tanto ao mar".

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Acolhida

"Sentir-se acolhido é natural quando se chega a um lugar e é recebido por todos os que formam a comunidade daquele lugar".
Quando começou aquele novo trabalho, Chico não sabia o que iria encontrar. Estava muito feliz pela oportunidade de poder contribuir com a história daquele empreendimento, poder ajudar as pessoas/clientes daquela instituição. Porém, pairava em seu coração a dúvida: será que seria bem recebido por seus novos colegas de trabalho.
Para sua grata surpresa, quando chegou ao novo ambiente de trabalho, uma pessoa o aguardava ansiosamente, querendo dar-lhe as boas vindas, querendo deixá-lo bem à vontade. Isso, ela conseguiu, Chico nunca fora tão bem recebido, outros, em outros lugares.
Durante os compromissos burocráticos, ainda no RH, fora introduzido na nova função e percebera o quanto era esperado. Após assinar bastantes documentos, passeou com sua nova superiora pelos vários departamentos daquela instituição, conheceu pessoas e lugares. Estava radiante com a oportunidade que recebera, estava convencido de que iria contribuir com seu melhor para o desenvolvimento das pessoas/clientes da instituição.
Voltou para casa feliz. Ansioso pelo novo dia que iniciaria seus trabalhos. 
"Sentir-se acolhido é natural quando se chega a um lugar e é recebido por todos os que formam a comunidade daquele lugar".

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Adaptação

Uma característica essencial para quem deseja progredir na vida, principalmente no trabalho, é a capacidade de se adaptar a diferentes realidades, pessoas, lugares.
Há muito tempo não escrevia neste espaço, talvez por causa do tempo curto de que disponho, talvez por causa de ainda não estar adaptado ao novo momento que vivo.
Aproveito deste momento de curto espaço de tempo para refletir sobre uma característica essencial de quem deseja ser melhor: a adaptação.
Adaptar-se a novos lugares é mais do que chegar e tentar se inserir em um novo local.
É inserir-se em uma nova vida, é ouvir mais do outro e falar menos de si, é desfrutar do conhecimento da cultura do outro, das coisas do outro, das certezas e incertezas dos outros. Porém, é também partilhar com o outro aquilo que é seu, é também mostrar suas certezas e incertezas, sua cultura.
Em tempos de globalização, em que somos colocados em contato com hábitos e modos estranhos ao nosso, faz-se cada vez mais necessária essa característica essencial para progredir na vida, no trabalho, o encontro e acolhida do diferente.

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Sapere aude

"Quem começa, já faz a metade da obra; resolve-te a ser sábio: começa." (Horácio)
Todo empreendimento de sucesso começa por uma ideia, talvez por um sonho.
A pessoa empreendedora é aquela que ousa transformar um sonho, uma ideia, em um empreendimento. Após o planejamento, longo tempo de trabalho árduo, o sonho se transforma em algo palpável que contribui para o desenvolvimento da sociedade, da comunidade em que o projeto está inserido.
Horácio, em Conselho a um Jovem (Epístola 1), indica que além do sonho, do projeto, da ideia, é necessário iniciar o trabalho, começar, ser ousado, pois o início já é metade da obra.
Muitos sonhos, muitas ideias que poderiam ser empreendimentos de sucesso não o são, simplesmente por falta de ousadia, de atrevimento: começar. O sonho, a ideia, com o passar do tempo, se não levada à concretude, se não começada, pode cair no esquecimento, pode ser abandonada, e algo de útil, algo que contribua no desenvolvimento de uma determinada comunidade não ocorrerá.
A advertência de Horácio é clara: "quem começa, já faz a metade da obra".

segunda-feira, 11 de março de 2013

Pensamento solto

Alguns fatos nos deixam sem palavras, talvez por causa da incompreensão de por que os mesmo ainda ocorrem.
Após eleições de presidentes da Câmara e do Senado, abismado e sem palavras por causa da eleição para a presidência da CDH da Câmara. Qual nova surpresa meus representantes estão preparando?
Outros fatos nos deixam sem palavras, talvez por causa do respeito que nos comovem.
Entre a renúncia do papa e a morte do comandante, o mesmo sentimento de impotência e observação à espera do que vai ocorrer, sem compreender direito o que ocorreu.
Uma tempestade forte, ou uma tarde de domingo, ou uma madrugada serena, pode provocar o silêncio no coração daqueles que se dispõem a observar o que acontece.
Muitas das vezes faltam palavras para explicar o motivo do fato ter acontecido deste modo e não de outro. Outras vezes, fica apenas o silêncio que se cala no coração daquele que observa.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Rotina

A vida de Jonas seguia normal, levantar, estudar, trabalhar, ver televisão, dormir, levantar... Nos finais de semanas, dormir, afinal, com uma semana puxada, o melhor que se poderia fazer naqueles dias em que não precisava levantar cedo era dormira até o corpo dizer chega.
Numa manhã de terça, a rotina de Jonas seguia normal, levantou-se, após os preparativos da manhã, tomou o ônibus que o coduziria até a escola: as mesmas pessoas, o mesmo motorista e o mesmo cobrador, inclusive percebeu que Débora também estava sentada no mesmo local. Ele sentou na mesma poltrona e ligou seu mp3 e ouvia as mesmas músicas de sempre até a parada próxima à escola.
Porém, Jonas percebeu o cheiro que entrava por suas narinas, no meio daquele engarrafamento matinal, um cheiro estranho, doce mas perigoso, suave mas intenso. Algo de novo acontecera, aquele cheiro não era parte de sua rotina.
Jonas seguia inquieto acompanhando a parte externa do ônibus, o que poderia estar provocando aquele cheiro, seria Débora, sua amiga de anos, mas ela sempre usava a mesma colônia, teria decidido mudar?
A rotina de Jonas mudara, não seria a mesma de sempre com aquele cheiro que não fazia parte de seu cotidiano. O ônibus avançava, quando Jonas percebeu que estava passando perto do cemitério e o cheiro que o surpreendeu naquela manhã, vinha de lá.
- Como as pessoas podem gostar do cheiro de flor se elas sempre lembra velório?! - perguntava-se.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Coincidência



Chico estava apressado, pois em 15 minutos teria que embarcar no ônibus que o conduziria de Belo Horizonte para Campinas. Antes, teria de tomar a água para se refrescar e ir ao banheiro da rodoviária para não precisar ir ao mesmo na estrada, gostava de entrar no ônibus e dormir, tranquilo, até o destino final.
Quando entra no banheiro da rodoviária percebe que conhece uma pessoa que estava ali, no mictório, mas resolveu não tirar a prova, pois poderia estar equivocado e o vexame seria grande, imagina, observar homem urinando em pleno banheiro da rodoviária.
Vai ao local onde costumava urinar e é surpreendido por uma batida na porta.
- Chico!
Abriu a porta, com medo, e para sua surpresa não era que o amigo, Moreira, que pensava que estava na Colômbia, estava ali.
- Está com a mão limpa?
- Não quero sujá-la.
- Rapaz, quando entrei no banheiro, olhei você, mas não quis comprovar, pois poderia não ser e seria meio estranho né, encarando macho no banheiro da rodoviária.
- Pois é, e eu poderia imaginar que seria você? Até me pareceu que o fosse, mas como você mora longe daqui.
- Não teria tido melhor local para lhe encontrar: esse lugar é a sua cara!
Pena que o tempo foi curto. Gostariam de mais alguns minuto para pode colocar a conversa em dia. Porém, não deu, a hora corria e Chico precisava embarcar para Campinas. Moreira também iria no mesmo horário embarcar para Divinópolis. Trocaram o número do telefone e se despediram da maneira costumeira: 'good bye Tola'. Tola era o apelido que um havia dado ao outro nas aulas de inglês.
O mais estranho foi o fato de um pensar que o outro estava a milhares de quilômetros de distância e o outro pensar que o um estava a 500 quilômetros. Poderia dizer que o Destino tinha conduzido os dois para o banheiro da rodoviária de BH, mas não, aquilo fora pura coincidência.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Eleições 2012

O resultado das eleições em alguns lugares parece mostrar que o povo brasileiro quer renovar seus quadros políticos. A corrupção é uma realidade em quase todos os partidos políticos, com exceção daqueles ainda novos, mas quem sabe o que o futuro promete.
É bem verdade que se apenas olharmos o resultado de São Paulo, o PT saiu vitorioso. Porém, derrotas significativas em outras cidades, que sofreram com o 'tirocínio' de alguns dirigentes do partido, sem consideração pela vontade dos filiados do partido, parecem indicar que o PT não foi tão vitorioso assim.
O PMDB ainda mantém o maior número de prefeituras, inclusive a do Rio de Janeiro, o que o coloca como um partido importante no jogo político. Assim como o PSB, que cresceu demais e chegou à administração de prefeituras muito importantes. O PDT conquistou duas prefeituras importantes do SUL. O PSD conquistou Florianópolis e muitas outras prefeituras pelo país. O DEM, com a eleição em Salvador, ainda respira.
Do outro lado, o PSDB perdeu São Paulo, o que poderia indicá-lo como um dos derrotados. Porém, conquistou as duas maiores prefeituras do Norte e algumas do Nordeste, sem falar nas alianças vitoriosas em outras prefeituras importantes do país. Portanto, o PSDB pode ser considerado um dos vitoriosos.
2014 promete!!!
O resultado das eleições deste ano parece mostrar que o povo brasileiro quer renovar seus quadros políticos. Porém, o que o eleitor brasileiro quer mesmo mostrar, entre outras coisas, com as eleições, destaco dois recados importantes: 25% do eleitorado ou deixou de votar ou votou em branco ou nulo; o eleitor quer erradicar, além da miséria e da fome, a corrupção dos quadros políticos do Brasil.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Ressurreição da Ética

Nos noticiários dos últimos dias, o assunto de ordem é o "Julgamento do Mensalão".
A sociedade brasileira acompanha com muita atenção o desfecho e as posições assumidas por cada um dos ministros, que de lá do STF, demonstra quando algum dos acusados é responsável ou não por aquilo de que o acusam.
Neste processo, duas figuras se destacam, tanto no bate-papo do cotidiano, quanto nas mensagens que circulam na rede. Um como o herói, ou outro como o anti-herói, um como o justiceiro, o outro como o conivente, um como aquele que venceu na vida, através do esforço pessoal, pelo estudo e trabalho, o outro que, embora tenha se esforçado, chegou onde chegou, não tanto meritoriamente como o herói.
Boa parte da sociedade brasileira, é claro, está preocupada com a provável queda do Palmeiras ou com o título de seu rival no Mundial Interclubes. Porém, esta mesma parte da sociedade que se preocupa com esse esporte que desperta paixão, também tem acompanhado, atônita, o modus operandi daqueles que se diziam defensores da ética e da moral na política.
A sociedade brasileira anseia pela ressurreição da ética na Vida Pública, principalmente quando este público envolve o bem comum. A sociedade brasileira quer dar razão a Aristóteles e Platão, e não a Maquiavel, quando o assunto é Política. Quer ver a punição dos responsáveis pelo mensalão, seja ele o de Brasília ou o de Minas, sem deixar, é claro, de acompanhar o desfecho da reta final do Brasileirão de Futebol.  

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Três Meses

Três meses passaram, fatos ocorreram, previsões foram feitas, promessas anunciadas, explicações dadas, interpretações encontradas.
Nos três meses passados ocorreram as campanhas para as eleições municipais, tive a oportunidade de acompanhar as de Belo Horizonte e de Campinas.
As duas palavras que mais ouvi da boca de candidatos a vereadores foram 'educação' e 'saúde'. Da boca dos principais candidatos a prefeito de Belo Horizonte, 'mobilidade urbana', dos de Campinas, 'ética'. Não fosse o episódio do julgamento do mensalão, diria que os três meses ocorreram como sempre, promessas, palavras e emoções.
Porém, em Brasília, um fato acontecia. Os antigos dirigentes daqueles que eram considerados os pilares da ética e da moralidade na política eram julgados pelo crime de corrupção ativa e formação de quadrilha, dentre outros. O mais curioso é que negaram até o fim e mesmo após o veredicto, da comprovação do ocorrido, continuam negando.
Lembro que de 2003 para cá, vi a expulsão da guerreira das Alagoas, do íntegro do Pará, da apaixonada do Rio Grande, pois os mesmos estavam se posicionando contra os interesses do Partido, vi também a aliança com o cara do Maranhão ou do Amapá, com os dois de Alagoas e, pese, nos últimos dias, a aliança com o cara de São Paulo que terá de devolver 20 milhões aos cofres públicos. Nesse mesmo período, o Ministério Público denuncia um esquema de compra de consciências para a aprovação de um projeto antes criticado, por isso, a expulsão daqueles que se mantinham fiéis aos ideais antes defendidos.Vi que, como o cara lá do Pará, que 'rouba mas faz', os condenado insistem que são inocentes.
Domingo, vi a derrota de um projeto em Recife e aqui em Belo Horizonte, que promete despertar uma oposição que nunca a cidade teve. Vi também o desespero que deve ser ao ter que votar em São Paulo, diante das opções que restaram. Parece que uma nova força política está surgindo no Brasil, ainda que a mesma tenha sido derrotada em minha querida Paraíba.
Desses três meses, as duas palavras que ainda teimam em ficar na minha mente, igual que em 2010 custei a me livrar do 'pior do que tá não fica', as duas palavras que parecem resumir esses dias são 'saúde' e 'educação'.