Renato Tavares

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segunda-feira, 28 de maio de 2012

Dois Irmãos

José e Simão eram dois irmãos que desde pequenos tinham suas desavenças, mas como bons irmãos, eles se reconciliavam e seguiam a vida.
O pai dos dois morrera há dois anos e deixou como herança uma fazenda no interior de Ipixuna. Os dois decidiram tocar a vida sem dividirem o terreno em partes iguais, concordaram apenas acertarem um "rumo" que demarcaria a propriedade de cada um, mas não fizeram cerca. O gado sim, este foi dividido e uma marca foi agregada ao gado de José para diferenciá-lo do de Simão.
As mulheres dos dois eram amigas, comadres. Sempre que podiam, marcavam uma reunião de família: ora o jantar era na casa de uma, ora na casa de outra. Nos domingos, o churrasco era por conta dos irmãos.
José começara a perceber que seu gado estava sumindo.
Bom, vale a pena dizer que na região, algumas onças atacavam os animais e o que sobrava era devorado pelos gaviões.
José começara a perceber que seu gado estava sumindo. Buscava pelos pastos onde estavam os restos mortais de seu gado, mas não os encontrava. Sempre se queixava das onças. "Um dia eu acabo com as onças". José se deu conta que mesmo que as onças matassem seu gado, deveriam deixar as carcaças: "como onça enterra o que sobra do gado". José percebeu, também, que apenas seu gado diminuía, o de seu irmão não. Começou a se estranhar como o irmão, até que deixou de comparecer aos churrascos dominicais: "é um gavião", dizia em alto e bom som, José, a todos os que quisessem escutá-lo.
Foi então que Simão decidiu colocar cerca ao redor de sua propriedade. "Para evitar problemas", justificava. Porém, José começou a queixar-se de que "a onça" estava roubando parte de sua terra, além de ter dado festa às suas custas. "Não tem jeito, desde pequeno é assim, nunca vai mudar, é uma onça disfarçada de cabrito".
José não conhecia Hobbes, mas de qualquer forma, compartilhava de sua Filosofia.

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