Ninguém conseguia entender o que Cristiano acabara de fazer.
- Como? Uma mulher linda como aquela não merecia aquilo! Linda por dentro e por fora! Como?
Era certo que Cristiano amava demais Aline. Era certo que tinham vivido muito felizes aqueles três anos de enlace matrimonial. Era certo que muitos os invejavam. Porém, ninguém sabia o que era verdade dentro do lar. Ninguém sabia o que era verdade entre as quatro paredes.
- Não se pode meter a mão no fogo por ninguém, ainda mais quando se trata de homem, homem não pensa.
- Que não pensa! A culpa foi dela! Ela era uma santinha do pau oco.
- Como sempre! Nessas horas, a classe masculina se une. Diante das evidências você ainda tem coragem de defender aquele vagabundo.
- Que homem não reagiria como ele reagiu!
Cristiano amava demais Aline, por isso não aguentou, não suportou o que ele mesmo via com seus olhos. Era certo que desconfiava. Sempre percebia algumas reações de alguém que é infiel em Aline. Porém, dessa vez, ninguém falava, não era mesmo especulação de sua cabeça. Ele via com seus próprios olhos.
Deu um soco na cara do rapaz com quem Aline conversava às gargalhadas, na Praça da Matriz, após a missa das 19h. Levou Aline puxada pelos cabelos até a casa onde moravam. O povo seguia curioso pela rua. Viu-se quando ele trancou as portas. Porém, após o fechar das cortinas, apenas se ouviram gritos, choro e acusações. Até que o silêncio tomou conta da noite da pequena cidade.
- Esse homem é louco! Como pode fazer aquilo com aquela mulher em plena praça pública?! É louco!
- Nada, é amor demais! Quando o fogo queima a razão, é sinal de amor demais!

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