Renato Tavares

Marcadores

segunda-feira, 21 de maio de 2012

"O homem é lobo do homem"

"O homem é lobo do homem." - parece que Hobbes escreveu algo assim.
Fernando curtia o final de semana em companhia da namorada, em um hotel legal, que lhe permitia ver a Avenida Paulista, bem abaixo, e o Ibirapuera, bem no horizonte. No sábado à noite, após beber um pouco de vinho, foi à sacada do hotel e de lá olhava o trânsito na famosa avenida e seus arredores.
- Impressionante como as pessoas têm medo. Olha lá embaixo. Nenhum carro fica parado esperando o semáforo abrir. Todos diminuem a velocidade no cruzamento, e aceleram quando estão seguros de que não vem um carro. Durante o dia não, eles param e não avançam o sinal, apesar de que nenhum carro se aproxima.
- Sai daí, você está bêbado, vai cair daí.
A namorada só tinha medo, pois Fernando estava um pouco tonto por causa das duas garrafas de vinho que havia tomado. A certeza de que ele estava bêbado foi confirmada quando ele começou a filosofar.
- É impressionante como as pessoas têm medo uma das outras. Nenhum carro para pois os homens temem outros homens. Eu mesmo, não gosto destas ruas paralelas à Paulista, são escura e um pouco desertas. Tem um cara, chamado Hobbes que falava disso, temos medo uns dos outros. Está vendo, apesar dele não ser cientista, a confirmação de sua teses está ali embaixo. Olha, vem um carro, diminui a velocidade, teve certeza de que não vem outro, acelera. Hobbes estava certo: "o homem é lobo do homem", ou algo assim.
- Sai daí, vem dormir.
Fernando fechou a porta da sala, que era de vidro. Pediu para continuar olhando a São Paulo noturna. Que bela, quanta luz, quanto mistério. Teve certeza de que apesar de não estar no meio da floresta amazônica, São Paulo parecia uma floresta, os edifícios altos eram as árvores, as construções pequenas as flores, as pessoas, bom essas pareciam os bichos, talvez alguns lobos. Fernando sentiu que Deus existia, pois somente um ser como Deus para inspirar os homens a construir algo como São Paulo. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário