Renato Tavares

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segunda-feira, 16 de abril de 2012

A boa Religião

Ricardo, um menino exemplar, sofria por causa da opção religiosa de sua família: eram umbandistas.
Ainda menino, com 8 anos de idade, ouviu de um colega, cuja família era da Igreja da Restauração, que sua religião era coisa má, que ele não era amigo de Deus.
- Mamãe, por que a gente não muda de religião? É mais fácil ser cristão. Não aguento mais ser acusado de mal, pelos meus amigos.
- Meu filho, o mais importante em uma religião não é como acontece o culto, mas como você se comporta fora do templo, na vida cotidiana.
- Mas mamãe, quase todos os dias, meus amigos cristãos acusam minha religião de ser coisa má, de ser coisa do demônio, de ser coisa do diabo. Eles se cumprimentam desejando a paz entre si, mas me excluem.
- Meu filho, você sempre que pode vai aos rituais, sabe que niguém invoca demônio nenhum ali, sabe que apenas fazemos oferendas a aquelas entidades que acreditamos serem nossas protetoras. Você gostava de nossa religião quando pequeno, agora, com 15 anos, querendo mudar de religião. Olha, religião é uma coisa pessoal, você deve escolher a sua, ou não precisa optar por nenhuma, mas o mais importante é você respeitar, saber olhar a diferença, ser uma pessoa boa, ajudar os que precisam.
- É mamãe, eu sei disso, mas não aguento mais a malhação: todos os dias, os cristão lá de minha escola ficam zombando de minha crença, dizem que é coisa do mal, colocam a culpa de tudo o que dá errado em mim, por causa de minha religião.
- Eu sei filho, mas aprenda a respeitá-lo. Você os respeita?!
- Sim mamãe. Apesar de achar bem estranho isso que eles afirmam ter acontecido: que o Pai do Céu enviou seu filho, e que o mesmo morreu em oferenda, para a remissão dos pecados da humanidade.
- No cotidiano meu filho, no cotidiano é que percebemos se uma religião é boa ou não: quando seus adeptos respeitam o diferente, quando seus adeptos ajudam quem precisa, aí sim, sabemos se são realmente do bem. Quanto aos dogmas e celebrações, são apenas a tentativa humana de querer expressar em palavras o que só pode ser expresso em ações.

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