'O rosto é a porta de entrada da alma'.
Não sei, mas um dito popular com este sentido quer significar aquilo que estou prestes a expressar.
Alguns países, sempre inspiraram em mim certa antipatia. Não vou dizer quais, contrariando Condé, gosto de ser político. Apenas citarei um, pois com sua porta de entrada, perdi a antipatia que tinha contra o mesmo: a França.
Gosto de vinho, gosto de queijos, mas não gostava da França. Não sei o porquê. Talvez pelos sentimentos que despertavam em mim toda vez que um amigo chegava de Paris, talvez por causa da 'semana de moda', talvez por causa do beicinho na hora de falar. Não sei o porquê. Talvez porque seja ufanista. Não um brasileiro ufanista, mas um sul-americano ufanista.
Aprendi a gostar de vinhos chilenos e argentinos, às vezes brasileiro. Aprendi a gostar de queijo do Serro, queijo do Ceará. Aprendi a gostar das roupas que se usam no verão brasileiro.
Sempre repetia para mim: França, nem pensar, tudo o que tem lá, eu tenho aqui. Europa? Só o processo para adquirir um visto de turista me desanima. Viajar pela América do Sul é muito mais fácil.
No segundo semestre de 2011, conheci um francês que se tornou amigo: jamais pensara em ter um amigo francês.
Um sujeito simpático, agradável, bom de conversa, apesar do esforço que fazia para falar português.
Apresentou-me os vinhos de Bordeaux, e os melhores, da Borgonha. Aprendi a gostar de Pinot Noir, como gosto de Cabernet Sauvignon. Apresentou-me o processo de fabricação de um queijo interessante. Aprendi a sentir odor, no lugar de fedor. Não falou da Moda de Paris. Percebi que para falar francês é desnecessário o beicinho.
Após 4 meses de convivência, estou curioso, menos resistente: quero conhecer a França. Não importa o processo, vou-me submeter aos transtornos e retirar um visto de turista. Quero tomar vinho na França, degustar queijos saborosos. Já sei falar 'merci', sem fazer beicinho.
'O rosto é a porta de entrada da alma'.

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