Gabriela, então com 8 anos de idade, crescera ouvindo de seu pai que todas as vezes que o céu ficava escuro, que barulhos assustadores de lá se ouviam, era motivado por alguma coisa má que fizera.
- Papai do Céu estava bravo!
Seu pai, Fernando, sempre repetira isso, ao explicar as grandes tempestades que se formavam, quase todas as tardes, em Belém, cidade onde moravam. Todas as vezes que ouvira o chegar do temporal das três da tarde, pensava no mal que provocara toda aquela ira.
Mateus, o avô paterno de Gabriela, professor de Física da Universidade Federal do Pará, certa tarde, ao visitar a neta, antes da chuva da tarde, percebera que a menina estava aflita, com o formar das nuvens.
- A Gabi tem medo de chuva! Não disse, Fernando, estou seguro de que recebemos este sentimento de nossos antepassados indígenas, nossa herança cultural. Culpa dos jesuítas.
Aproximou-se de sua neta. Explicou como se formam as chuvas, as nuvens, o atrito, o choque de temperatura, a descarga elétrica, não precisava mais ficar com medo.
Gabriela, atentamente ouvia e queria entender direito o que escutara. Seu avô explicava e aproveitava da ocasião para demonstrar, empiricamente, os efeitos causados pelo temporal.
- Vovô, mas papai disse que isso era por causa que Papai do Céu estava bravp.
- Deixa de bobagem filinha, já te expliquei. Papai do Céu não tem nada com isso que está acontecendo.
Depois daquele dia, Gabriela nunca mais temera a chegada do temporal, nã tinha feito nada de mal, apenas se precavia de estar segura, pois os relâmpagos descarregam uma corrente elétrica capaz de matar um ser humano.
Fernando, muito feliz, dizia a todos com que se encontrava que ele dera a primeira lição de Física de sua netinha. Física era uma matéria empolgante, contagiante.
Isso eu ouvi do próprio, em uma mesa de café de uma Pousada do Barão, antes de uma aula de Física na Universidade de Campinas. Claro, Fernando iria para a aula de Física, eu para a de Filosofia da Ciência.

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