"Há mais coisas entre o céu e a terra, Horácio, do que sonha a nossa vã filosofia". Hamlet, Ato I - Cena V
É claro que o contexto do qual esta frase foi extraída era outro. Porém, a mesma pode ser usada para expressar algo de verdadeiro na história das pesquisas humanas, sejam tais pesquisas de natureza filosófica, científica ou mesmo religiosa.
Como o ser humano procura dar respostas para suas inquietações, ou mesmo para suas tranquilidades, busca constantemente preencher a sua vida de sentido.
Uma vida humana necessita de sentido, inclusive não ter sentido.
As mais diversas filosofias, transcendentais ou materialistas, as mais diversas religiões, mentalistas ou históricas, as mais diversas ciências, buscam constantemente sentido para a vida humana. Quando encontram algo que possa servir de motivo, institucionalizam diversas crenças, diversos credos, diversas profecias. Todos se autoproclamam a verdade da vida humana, o que há de correto, de belo.
Passada a fase do primeiro encanto da paixão, tais doutrinas podem ser amadurecidas pela reflexão, pela contemplação, pela atitude. Podem chegar a transformar-se em amor. Podem dar sentido real para a vida daqueles que compartilham suas ideias.
Quando amadurecidas, tais doutrinas se tornam conscientes de que são apenas partes do que há de verdadeiro e belo. Conseguem ver que há muito mais mistério que a pequenez de sua contribuição.
Por isso, embora em outro contexto, a frase de Hamlet pode expressar o que sente alguém consciente do sentido que dá para sua vida.
"Horácio, há mais coisas entre o céu e a terra do que sonha a nossa vã teologia".

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