Renato Tavares

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sábado, 8 de janeiro de 2011

Paulinha Passos - 17

- Como é bom jantar com a família! Se pudesse voltar no tempo, aproveitaria cada jantar, cada conversa, cada novela, com minha família! Perdi muito tempo trabalhando! Também, nessa profissão de comerciante, ou a gente trabalha, ou então morre de fome, no final, a gente termina sozinho!
Eram essas as palavras de seu Lourival, no primeiro jantar com seus únicos familiares, apesar de viver em sua casa, um sobrinho capixaba, filho de sua irmã caçula.
Seu Lourival era um comerciante de tecido, na cidade de Petrópolis. Tinha chegado ainda jovem, na cidade Imperial, na época em que os filhos, por volta dos 15 anos, deixavam a casa dos pais, para tentar sorte em outro lugar, pois na pequena Pedra Menina, terra natal de seu Lourival, havia dois destinos aos filhos daquele lugar, ou o lar, ou a agricultura, os que quisessem futuro diferente, deveriam buscá-lo em outro lugar.
Ainda jovem, diríamos que adolescente, seu Lourival deixou Pedra Menina em direção ao Rio de Janeiro. Falava-se muito nas oportunidades na então capital nacional. Porém, no meio do caminho, ele se encantou com Petrópolis e decidiu não descer a serra, mas desfrutar de um dos melhores climas do mundo.
Em Petrópolis, aquele capixaba começou trabalhando num pequeno armazém, para o senhor Juliano. Aprendeu naquele serviço toda a ciência comercial: investimento, cálculo de risco, arte da negociação, administração financeira. A única dificuldade que seu Lourival tinha, foi a de aprender a lidar com o ócio.
Após cinco anos de aprendizagem, de economia, de análise, seu Lourival decidiu iniciar seu próprio negócio, no ramo de tecidos. Com as economias de 5 anos de serviço, foi ao Rio e fez seu primeiro investimento: comprou uma camionete para transportá-lo, mais as mercadorias, principalmente tecidos, pelas cidades do interior de Minas, Espírito Santo e Rio. Assim, começou seu próspero negócio de vendas de tecidos.
A cidade sede da Tecido Lopes foi a cidade de Petrópolis. Depois de cinco anos, viajando pelas ditas cidades, decidiu comprar um terreno, onde construiu um depósito para as mercadorias. Contratou Doralice para ser secretária, depois promovida a administradora do Depósito.
No final dos anos 60, casou-se com Doralice e, exatamente em 15 de Dezembro de 1970, nasceu seu único filho Ademar, que 40 anos depois, com sua mulher e sua única filha, visitava seu viúvo pai.
- Sozinho por opção! Já perdi a conta de quantas vezes lhe chamei para morar em BH, com sua família, mas você sempre tem a desculpa de que não quer incomodar, tem muito negócio em Petrópolis, tem que cuidar da casa. A solidão é sua companhia predileta!

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