Provavelmente se eu tivesse cruzado com Rejaniel numa das esquinas de São Paulo, mesmo que durante o dia, eu ficaria receoso, observaria seus movimentos, tomaria toda precaução e, desconfiando de algo, não duvidaria, correria ou aceleraria o carro, mesmo que corresse o risco de causar um acidente. Eu teria medo.
Porém, após ouvir atentamente, por quase uma hora, Rejaniel contar sua história, de como fora educado por sua mãe, de como é sua moradia embaixo de um viaduto em São Paulo, de como é sua refeição, do que faz todos os dias, de como se portou ao encontrar 20 mil reais, de como se sentia feliz por ter feito aquilo que sua mãe lhe ensinara, eu emocionado reconheci: é uma das maiores almas humanas que tive o privilégio de ouvir.
Rejaniel falou que, provavelmente, em menos de um mês já não teria mais nenhum centavo dos 20 mil reais. Rejaniel ressaltou que sua mãe sempre lhe dissera que não ficasse com o que não é seu. Rejaniel falara de como se sentia satisfeito ao fazer o que é certo.
Três coisas me impressionaram: ele fazia bastante tempo que não se sentava à mesa para uma refeição; ele tinha conviccção de que estava fazendo a coisa certa ao devolver o dinheiro; ele estava satisfeito, por pelo menos uma vez na vida, ter servido de exemplo para seu filho.
Queria ter escutado sua mulher falar, mas como aprendi, "as palavras convencem, os exemplos arrastam".
Nesses dias em que penso que o ser humano não tem mais jeito, ao duvidar da lealdade de nossa gente, ao questionar o futuro do Brasil, fico de boca aberta, confesso meu pecado e agradeço por ter tido a oportunidade de conhecer Rejaniel. Quantos serão que ainda há no Brasil?! Quanto ainda terei o prazer de conhecer?!

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