Renato Tavares

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quarta-feira, 20 de junho de 2012

Dia Chuvoso

... Esta é uma cidade dos extremos, quando faz calor, lembra Belém, quando chove, lembra João Pessoa no mês de Julho, quando faz frio, lembra aqueles outonos frios de Wheeling... Em Campinas, é como se fala ao tomar uma decisão: ou tudo, ou nada.
Renato acordara naquela manhã de quarta decidido a não ir para a Unicamp. Desde terça que chovia sem parar. Uma falta a mais não iria reprová-lo na disciplina em que estava matriculado. Era aluno da Pós em Filosofia. Tinha faltado apenas uma vez em todo o semestre. Estava decidido, pois, a não enfrentar a chuva, naquela manhã fria.
De repente, Renato percebe que Sônia estava chegando. Estava toda ensopada. Tinha atravessado toda a cidade, desde a zona sul até a zona norte, onde se localizava o Distrito de Barão Geraldo.
Aquela cena comoveu o jovem estudante de Filosofia. Se Sônia atravessou toda uma cidade para vir trabalhar, por que ele não poderia andar dois minutos até o ponto de ônibus e por mais 10 minutos, encarar o 332, até chegar ao Prédio do IFCH.
Decidiu-se: tomou banho e arrumou-se; degustou seu café da manhã; andou até o ponto de ônibus e esperou durante 35 minutos, sob a chuva, o 332; aguentou o ar quente e abafado do ônibus, por causa das janelas fechadas; enfim, chegou à sala de aula.
- Só vim mesmo porque a Sônia me motivou. Ela atravessou toda a cidade, debaixo da chuva, para vir trabalhar, por que eu não poderia vir dali para cá.
No final do dia, ainda chovendo, tomando seu café e olhando as gotas de águas que caíam do céu, Renato pensava que como Sônia, muitos outros encaravam a chuva para chegar ao trabalho. Também pensou naqueles que trabalham debaixo de chuva, como os agricultores e os motoboys. Pensou nos 35 minutos que passou ao lado de um toco, que na cidade de Campinas indica o ponto de ônibus. Sorria daquele momento, pois pensava que quanto mais se precisa de um ônibus, mais ele demora a passar. Pensou nos dois táxis que deixou de apanhar por pura implicância, "já que tinha esperado até agora, iria esperar até o ônibus passar". Agradeceu a Deus pela chuva que caía.

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