Luiza era, desde cedo, uma menina muito curiosa.
Ainda aos 4 anos, perguntava a seus pais como ela tinha nascido, se a fizeram por encomenda e onde morava antes de vir a morar com eles.
Mais tarde, aos 9, durante as aulas de ciência, começara a ter curiosidades e a investigar sobre a verdade de seu nascimento. Na biblioteca, deparou-se com um livro de biologia, do Ensino Médio, e começou a folheá-lo. Página após página informou-se de que muitas das informações que seu pai lhe dera eram erradas. Desculpou-o, talvez ele não soubesse, pois trabalhava em banco, não na escola.
Quando no início da puberdade, percebeu muitas transformações em seu corpo e descobriu-se com vergonha. Não sabia a quem recorrer para suas muitas dúvidas. Seus pais não iriam entender, não estudaram biologia.
Por volta dos 15, ficou fascinada com a imagem de Dante, seu professor de Biologia. Todo o momento pensava nele, o admirava, o ouvia atentamente. Talvez sim, o professor pudesse lhe explicar o que acontecia com ela. Porém, a vergonha a impediu de se aproximar de Dante.
Numa tarde, enquanto voltava pensativa para casa, buscando saber como iria esclarecer muitas de suas dúvidas, percebeu no canto, em um galho, uma formiga que subia. Fixou-a, olhando atentamente aquela cena. Ficou encantada com o que via, era a coisa mais linda que já tivera visto.
Veio um vento, levou a formiga. Luiza percebeu que a mesma tinha desaparecido completamente.
Aos 15 anos, voltou para casa, sentou-se em sua poltrona, deitou-se na cama, levantou-se da cama, foi ao banheiro, desceu para a cozinha, voltou para a poltrona, deitou-se na cama, levantou-se da cama.
Pensava muito nas transformações pela qual passava, pensava em Dante, pensava em seu pai, pensava na formiga que sumiu.

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