Quis custodiet ipsos custodes? (Quem vigiará o vigilante)
Esta máxima é atríbuida a Juvenal, poeta romano do Séc. I, encontrada em sua obra “As Sátiras”.
Poesia ou filosofia?
Uma grande questão que ainda instiga a muitos pesquisadores dessas duas áreas.
Não se tem certeza de qual a área limite destas duas atividades humanas, quando se está lendo um Guimarães Rosa ou um Nietzsche. O certo é que as duas áreas parecem se complementar, quando propõe reflexões sobre os costumes, os valores, a vida.
A vida de Juvenal é uma incógnita. Quem foi? O que fez? Como viveu?
Alguns dados biográficos são deduzidos de sua obra “As Sátiras”. Porém, muito mais suposições, que historiografia.
Escrever sobre forma de sátira era costume no Mundo Clássico. Muito do que se sabe da vida de Sócrates, deriva da comédia, satírica, de Aristófanes “As Nuvens”. Assim, muito do que se sabe da Roma Antiga, deriva da obra “As Sátiras” de Juvenal.
Nesta obra, Juvenal retrata satiricamente o cotidiano da vida romana, bem como faz reflexões profundas acerca da política e ética romana, que ainda ressoam no Séc. XXI. Quem duvidaria de concordar com algumas de suas máxima, a seguir citadas, quando se depara com o cotidiano da vida nacional, no Séc. XXI:
“As pessoas, em vez de cuidar de sua liberdade e cidadania, estão interessadas em pão e circo.”
“Deve-se orar para ter uma mente sadia num corpo são.”
“Em Roma tudo se compra.
No livro VI de “As Sátiras”, Juvenal descreve, com pessimismo e agressividade, a moral da mulher latina, de seu tempo: “tão escassas são hoje as mulheres”. Ironiza, ainda, os homens de seu tempo ao dizer: “haverá algum homem que suporte uma mulher cheia de todas as virtudes”.
Na parte central do livro VI, Juvenal descreve a falta de pudor das mulheres de seu tempo, seus vícios e artimanhas, bem como sugere aos homens não casar ou se manterem vigilantes.
Neste contexto, pode-se observar a seguinte reflexão:
“Quase não há pleito que mulher não mova; se há acusação ela desacusa, se não ela acusa ( o rosto de uma mulher cativa) – nada poderás fazer se a mulher se opõe. (…) Enquanto tua sogra vive, nunca a deixe em paz, hábil mestre de tua mulher ela o é, ela provocará a tua ruína; ela também adestra sua filha na infame arte do adultério, suborna ao guarda, ao oculto amante”
Assim, surge a célebre máxima: Quis custodiet ipsos custodes? (Quem vigiará o vigilante)
“Mas hoje, Cláudio o diz: põe barras de ferro na entrada (da cela onde se guardaria a mulher). Porém, quem guaradará o guardião. Destra é a mulher para que subornando este, ele ceda”.
Será que pode-se ter confiança nos dias de hoje, ou Juvenal já se foi para a memória do letrado.
http://www.archive.org/stream/stirasdejuvenal00vigigoog#page/n8/mode/1up
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